Domingo, 22 de Março de 2026
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Falta de diesel ameaça serviços em mais de 140 cidades no RS

Prefeitos estão priorizando o uso do diesel para serviços de saúde, como o transporte de pacientes, enquanto outras atividades, como obras, estão sendo suspensas.

Redação
Por: Redação
22/03/2026 às 11h14 Atualizada em 22/03/2026 às 17h11
Falta de diesel ameaça serviços em mais de 140 cidades no RS

A restrição no fornecimento de diesel acendeu um alerta vermelho no Rio Grande do Sul. De acordo com um levantamento realizado pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), a escassez do combustível já afeta pelo menos 142 cidades do Estado, o que representa quase 30% de todos os municípios gaúchos. O número tem como base as respostas de 315 prefeituras que participaram da pesquisa até o momento.

A gravidade da situação tem forçado os gestores públicos a tomarem decisões difíceis para evitar um colapso imediato no atendimento à população.

Impacto direto nos serviços públicos

Com as bombas vazias ou operando com restrição severa de cotas por parte das distribuidoras, as prefeituras precisaram adotar planos de contingência, direcionando o pouco diesel disponível exclusivamente para áreas vitais.

  • O que está mantido (prioridade): O foco total é na área da saúde, com a garantia de abastecimento para ambulâncias e vans utilizadas no transporte e deslocamento de pacientes.

  • O que está suspenso: Diversas atividades operacionais e de infraestrutura, como obras públicas, manutenção de vias e serviços urbanos que dependem de maquinário pesado e caminhões, estão sendo temporariamente interrompidas.

A presidente da Famurs e prefeita de Nonoai, Adriane Perin de Oliveira, fez um alerta contundente sobre o risco iminente caso o abastecimento não seja normalizado rapidamente. Segundo ela, a continuidade da crise pode atingir em breve o transporte escolar e prejudicar ainda mais a área da saúde. "Precisamos de respostas efetivas, especialmente por parte do governo federal", destacou a gestora.

A raiz do problema e as medidas em jogo

O estopim para essa forte ameaça de desabastecimento vem de fora do país. A escalada do conflito no Oriente Médio provocou uma disparada no preço do barril de petróleo no mercado internacional. Isso encarece os custos de importação e pressiona fortemente o mercado interno brasileiro, que depende da compra externa para suprir sua demanda por diesel.

Para tentar conter a crise e mitigar os impactos nas bombas, o governo federal anunciou um pacote emergencial de socorro:

  • Liberação de um crédito extraordinário de R$ 10 bilhões ao Ministério de Minas e Energia para oferecer subvenção econômica e segurar o preço.

  • Isenção da cobrança de impostos federais (PIS e Cofins) sobre o combustível.

  • Proposta aos Estados: O Ministério da Fazenda sugeriu que os governadores também zerem a alíquota do ICMS sobre a importação do diesel, com a promessa de que a União compensaria metade dessa perda de arrecadação dos estados.

Até agora, a adesão estadual a essa última proposta é baixíssima. Apenas o governador do Piauí, Rafael Fonteles, sinalizou apoio à ideia. O desenrolar da crise nos próximos dias dependerá da velocidade com que as medidas financeiras da União chegarão ao mercado e de uma resolução no diálogo com os demais governadores.

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