
A Polícia Civil deflagrou a Operação Lilliput nesta terça-feira, 28, visando o núcleo financeiro de uma organização criminosa na Região Metropolitana de Porto Alegre. Foram cumpridas 168 ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas e sequestro de veículos de luxo.
O valor bloqueado pode chegar a R$ 81,5 milhões. A ação foi liderada pela Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), focando em uma célula da facção baseada em Cachoeirinha. A investigação começou após a prisão de um suposto líder regional da facção em Xangri-lá, em abril de 2025.
A partir daí, a polícia passou a investigar a estrutura financeira do grupo. Foi identificado um esquema de lavagem de dinheiro que incluía ocultação de patrimônio, movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada, uso de "laranjas" e empresas de fachada para dissimular recursos obtidos de atividades criminosas. O dinheiro seria proveniente de crimes como tráfico de drogas, delitos violentos e exploração de jogos de azar.
A facção tinha uma estrutura organizada, com núcleos de liderança, setor empresarial e financeiro, apoio para ocultação de bens e núcleo político-administrativo. Um dos integrantes do grupo, William Ramos Silveira, fugiu da Penitenciária Estadual de Charqueadas em maio, supostamente com ajuda de um policial penal preso recentemente. A investigação também destacou uma empresa como possível fachada. A empresa, sem sede física ou funcionários, teria recebido cerca de R$ 3 milhões da Prefeitura de Cachoeirinha e mais de R$ 10 milhões da Prefeitura de Canoas nos últimos três anos.
As ordens judiciais foram cumpridas em Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Gravataí, Charqueadas e Itajaí, com apoio da polícia catarinense. O delegado Max Otto Ritter, da Draco, afirmou que o objetivo é enfraquecer financeiramente as organizações criminosas. "Busca-se a descapitalização e asfixia das facções", disse. O diretor interino do Deic, delegado Luis Firmino, destacou que a operação faz parte da estratégia de enfraquecer financeiramente as facções no Rio Grande do Sul.