
O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) determinou a suspensão preventiva, por 60 dias, de dois dirigentes da Associação Estância do Minuano, com sede em Santa Maria. A punição ocorreu após denúncias formais de comportamento antiético durante a realização do 31º Rodeio Internacional do Conesul. O caso gerou indignação na comunidade campeira após relatos de ofensas direcionadas a uma competidora em tratamento oncológico.
O incidente foi registrado no último final de semana, entre os dias 7 e 8 de março. Durante uma disputa em pista, uma das laçadoras, que trava uma batalha contra o câncer, sofreu uma convulsão. A equipe acabou sendo desclassificada da competição após o episódio de saúde. No entanto, o estopim da crise ocorreu logo em seguida, quando as competidoras denunciaram ter sofrido manifestações ofensivas e preconceituosas relacionadas à condição de saúde e ao gênero da atleta por parte da organização.
No dia seguinte à desclassificação, o pai de uma das competidoras procurou a equipe do rodeio para questionar a decisão. Segundo a denúncia apresentada ao Conselho de Ética Tradicionalista, o homem teria sido empurrado por um dos dirigentes e ameaçado de expulsão do parque, sob a promessa de uso de seguranças privados ou de força policial.
Com a punição imposta pelo MTG, os dirigentes envolvidos ficam estritamente proibidos de participar de quaisquer eventos oficiais da entidade ou de suas associações filiadas enquanto o caso for investigado.
O presidente da Associação Estância do Minuano, Bruno Brenner Fernandes, manifestou-se publicamente sobre o caso. Ele classificou a situação como "muito triste", mas negou veementemente todas as acusações de agressão e preconceito. Fernandes garantiu que as pessoas que estão disseminando essas denúncias — as quais ele considera equivocadas e desconexas dos fatos reais — terão de responder judicialmente pelas falas.
O episódio ganha ainda mais peso por ocorrer no mesmo mês em que o MTG firmou um importante termo de cooperação com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). A parceria recém-assinada tem como foco principal justamente o combate à violência contra a mulher em eventos tradicionalistas, buscando criar campanhas de conscientização e garantir ambientes de respeito dentro da cultura gaúcha.