Sábado, 14 de Março de 2026
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Quatro policiais militares são condenados por tortura e cárcere

A operação criminosa ocorreu em agosto de 2025, no bairro Lami, na Zona Sul de Porto Alegre.

Redação
Por: Redação
14/03/2026 às 15h28 Atualizada em 14/03/2026 às 16h02
Quatro policiais militares são condenados por tortura e cárcere

A Justiça Militar do Rio Grande do Sul condenou quatro policiais da Brigada Militar acusados de cometerem crimes de tortura, cárcere privado e invasão de domicílio. A operação criminosa ocorreu em agosto de 2025, no bairro Lami, na Zona Sul de Porto Alegre, e resultou na perda dos cargos de todos os envolvidos, além da proibição de exercerem funções públicas pelo dobro do tempo de suas respectivas penas.

Os policiais condenados — Sandro Urubatã Acosta, Anderson Azambuja de Souza, Anderson Nascimento da Silva e Nathan Fraga Leon — foram julgados culpados por diferentes graus de participação. De acordo com os autos do processo, a ação ilegal teve início na madrugada de 1º de agosto de 2025, quando o grupo invadiu uma residência sem qualquer tipo de mandado ou autorização judicial.

Confira as condenações:

Sd. Sandro Urubatã Acosta: 13 anos, 7 meses e 10 dias de reclusão, além de 8 meses de detenção. Deve iniciar em regime fechado. Considerado o que mais exerceu violência e comandou a ação;
Sd. Anderson Azambuja de Souza: 12 anos, 5 meses e 18 dias de reclusão, além de 8 meses e 22 dias de detenção. Início em regime fechado;
Sd. Anderson Nascimento da Silva: 1 ano e 8 meses de reclusão e 4 anos, 11 meses e 15 dias de detenção, em regime semiaberto. Foi considerado responsável por manter pessoa presa e impedir que acionasse a polícia;
Sd. Nathan Fraga Leon: 1 ano, 6 meses e 22 dias de reclusão e 4 anos, 11 meses e 25 dias de detenção, também em regime semiaberto. Condenado por omissão dolosa, com base nas provas de que tinha conhecimento das ilegalidades e não impediu os crimes.

A dinâmica do terror e o registro nas câmeras

Durante a primeira invasão, um dos moradores foi levado pelos agentes contra a própria vontade, enquanto outro foi mantido em cárcere privado sob vigilância e sem acesso a meios de comunicação. Na sequência, os profissionais de segurança pública seguiram para uma segunda casa, onde torturaram um casal e o homem que havia sido retirado da primeira residência.

Um dos detalhes mais chocantes do caso é que as agressões foram presenciadas por crianças que estavam no local. As câmeras corporais dos policiais, mesmo com as imagens bloqueadas durante a ação, continuaram gravando o áudio e registraram os sons nítidos da sessão de tortura.

As vítimas foram então levadas para uma área de mata isolada. O homem sequestrado foi novamente espancado e abandonado no local, sendo encontrado horas depois por familiares com múltiplas lesões corporais, devidamente confirmadas por laudo médico pericial.

Provas no celular e recursos judiciais

Em suas defesas, os réus negaram as acusações. Eles justificaram que as vítimas teriam envolvimento com o tráfico de drogas e que a entrada nas casas teria sido consentida pelos moradores. No entanto, as próprias câmeras mostraram os policiais chegando com ferramentas de arrombamento, derrubando a versão oficial de permissão de entrada.

Além disso, a extração de dados revelou mensagens comprometedoras nos celulares dos PMs. O soldado Nathan chegou a descrever os eventos em mensagens de texto como uma "loucura", mencionando expressamente o plano de invasão sem mandado, além de discussões sobre as agressões e ameaças feitas às vítimas.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) já anunciou que vai recorrer da sentença para tentar aumentar as penas impostas aos réus Nathan e Nascimento. Por outro lado, as defesas de Sandro e Anderson Azambuja também confirmaram que recorrerão da decisão. O 21º Batalhão de Polícia Militar, unidade onde os agentes estavam lotados, preferiu não se manifestar sobre o caso.

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