
O governo do Rio Grande do Sul monitora atualmente mais de 900 agressores por meio de tornozeleiras eletrônicas, inseridos em um universo de aproximadamente 12 mil medidas protetivas ativas no estado. Apesar do cerco tecnológico, os índices de violência extrema continuam alarmantes: apenas nos primeiros meses de 2026, 20 mulheres já perderam a vida em casos de feminicídio em território gaúcho.
A ineficácia da rede de proteção em casos isolados ganha contornos mais graves quando analisada sob a ótica nacional. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, das 52 mulheres assassinadas no Brasil que possuíam medidas protetivas em vigor, 14 mortes ocorreram no Rio Grande do Sul — o que representa 27% do total do país.
Diante do cenário, o governador Eduardo Leite (PSDB) destacou que o enfrentamento à violência contra a mulher exige uma mudança cultural profunda e a identificação precoce de riscos. O Executivo busca aprimorar a cooperação e o cruzamento de dados entre a rede de atendimento municipal, a Brigada Militar e a Polícia Civil para agir de forma antecipada e coordenada.
Um mapeamento recente divulgado pelo Ministério Público do RS evidenciou lacunas preocupantes na cobertura de serviços especializados. Regiões populosas, como o Litoral Norte e o Vale do Paranhana, não contam com nenhuma Delegacia da Mulher (DEAM). O governo estadual admite a dificuldade logística e financeira de instalar unidades especializadas nos 497 municípios, mas garante que a estratégia é qualificar o atendimento nas delegacias comuns para acolher as vítimas de forma adequada.
Outra frente de atuação defendida pelo Executivo é "ir para cima do agressor". Leite enfatizou a importância de iniciativas que tratam a raiz do problema, como a criação de grupos reflexivos e a oferta de atendimento psicológico aos autores de violência, com o objetivo de reduzir a reincidência.
A orientação das autoridades para casos de violência em andamento é acionar imediatamente a Brigada Militar pelo 190. Para o registro de ocorrências e solicitação de medidas protetivas, as vítimas devem procurar a delegacia mais próxima ou utilizar a Delegacia Online.
A rede de apoio conta ainda com a Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas pelo telefone 180, e com o suporte jurídico da Defensoria Pública, acessível pelo número 0800-644-5556. Além dos canais oficiais, as vítimas podem recorrer ao sinal de socorro (uma mão espalmada com o polegar dobrado ao centro, coberto em seguida pelos outros dedos), criado internacionalmente para pedir ajuda de forma silenciosa e discreta em locais públicos.