
O futuro e a competitividade da cadeia produtiva da uva e do vinho foram o centro de um encontro estratégico nesta quinta-feira (19), em Caxias do Sul. O presidente do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), Daniel Panizzi — representando também a União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra) —, reuniu-se com o vice-presidente da República e presidente em exercício, Geraldo Alckmin, para entregar um documento com as principais demandas do setor.
A Serra Gaúcha é o coração da vitivinicultura nacional, responsável por cerca de 85% da produção de vinhos e espumantes do Brasil. Atualmente, a cadeia envolve mais de 25 mil produtores rurais, gera 90 mil empregos diretos e abriga mais de mil indústrias.
"Nosso objetivo é construir, em conjunto com o governo federal, um ambiente de maior equilíbrio competitivo e segurança para que o setor continue crescendo de forma sustentável", destacou Panizzi, reforçando a importância da agricultura familiar e do enoturismo para a economia regional.
As 5 principais demandas entregues ao Governo Federal:
1. Imposto Seletivo: O setor solicita enfaticamente que vinhos e espumantes nacionais não sofram aumento da carga tributária com a nova regulamentação. O alerta é de que alíquotas desequilibradas podem destruir a competitividade e estimular a informalidade.
2. Acordo Mercosul-União Europeia: Há uma forte preocupação com a entrada massiva de produtos europeus fortemente subsidiados por seus governos. As entidades pedem medidas de adaptação, apoio à produção nacional e avaliação de distorções comerciais.
3. Combate ao Contrabando: A urgência em frear o mercado ilegal de vinhos e espumantes. Segundo o Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf), o contrabando movimenta mais de R$ 2 bilhões por ano no Brasil, gerando rombos econômicos e riscos à saúde pública.
4. Valorização do Suco de Uva: Pedido de atualização da legislação para ampliar o uso do suco em bebidas e refrigerantes, além da preservação do acesso ao mercado europeu e estudos para a criação de uma política de preço mínimo para o produto.
5. Apoio à Agricultura Familiar: Atualização dos limites e critérios do Pronaf no Plano Safra 2026/2027, com mais acesso a crédito e recursos para subvenção ao seguro agrícola, fundamentais para a base da cadeia produtiva.
O documento entregue a Alckmin também é assinado em conjunto por entidades de peso, como ACIU, Agavi, Fecovinho, Sindivinho-RS e Consevitis-RS, que se colocaram à disposição do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para criar um plano de Estado para o setor.