
O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí transcendeu a passarela do samba e se transformou no centro de um intenso embate político e religioso nesta semana. Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (19) pelo instituto Ideia revela que 61,1% dos evangélicos consideraram a ala denominada “Família em Conserva” uma ofensa à liberdade religiosa ou uma representação preconceituosa.
A agremiação levou para a avenida um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A polêmica, no entanto, concentrou-se na ala que retratava famílias dentro de latas de conserva, com alguns componentes exibindo referências religiosas diretas.
Os números da repercussão
A pesquisa detalhou como o segmento evangélico e protestante absorveu a mensagem levada à avenida. Além dos mais de 60% que se sentiram ofendidos, o levantamento apontou que:
11% entenderam a ala como uma crítica artística legítima.
8,7% viram a representação como uma sátira aceitável.
19,2% não souberam opinar.
Os dados mostram também que a polêmica furou a bolha de quem acompanha o Carnaval. Aproximadamente três quartos do segmento tomaram conhecimento do desfile: 45,9% entraram em contato com o tema por meio de reportagens ou postagens nas redes sociais, e 19,1% assistiram ao desfile ao vivo ou por vídeos. Apenas 23,9% afirmaram não ter visto ou ouvido falar sobre o assunto.
Reação política e institucional O mal-estar gerado pela apresentação rapidamente se converteu em mobilização política. Nos últimos dias, a oposição no Congresso assumiu a linha de frente de uma ofensiva que direciona críticas tanto à escola de samba fluminense quanto ao presidente Lula.
A indignação ganhou força institucional com a manifestação das bancadas religiosas. As frentes evangélica e católica divulgaram notas oficiais criticando duramente o teor do desfile e cobrando que os responsáveis pela apresentação sejam responsabilizados.
A pesquisa Ideia ouviu 656 pessoas que se autodeclaram evangélicas ou protestantes, distribuídas em 315 municípios brasileiros. As entrevistas foram realizadas pela internet no dia 18 de fevereiro. A margem de erro é de 3,8 pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.