
O preço mínimo da uva industrial 15º glucométricos para 2023 será de R$ 1,58 para os estados das Regiões Sul, Sudeste e Nordeste. O valor, que equivale a um reajuste de 20,61%, está dentro da expectativa de acordo com a Comissão Interestadual da Uva. Conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o aumento acompanha a elevação dos custos de produção da uva industrial e vai possibilitar ao viticultor, ao menos, arcar com as suas despesas em casas de crises de preços de mercado.
De acordo com o presidente da Comissão Interestadual da Uva, Cedenir Postal, o valor definido pelo governo federal ficou próximo do custo de produção apurado pelos sindicatos. “Ficou dentro da expectativa. O Governo Federal atendeu nosso pedido e definiu em 1,58. Agora a expectativa é de uma safra que transcorra dentro da normalidade, que não tenhamos problemas com o clima daqui para frente. Esperamos que o tempo colabore e que a uva faça uma boa graduação”, explica.
Cedenir também defende a importância de a indústria vitivinícola seguir a tabela de valores divulgada pela Conab, uma vez que no ano passado algumas vinícolas não o fizeram, prejudicando os produtores rurais. “A Conab fez a tabela com as variedades e com as graduações. Esperamos que as vinícolas cumpram essa tabela, pois em 2022 tivemos um excelente clima, uma excelente graduação, e teve vinícolas que não cumpriram a tabela. Isso é lamentável e acaba desfavorecendo os agricultores”, pondera.
O Sindicato Rural da Serra Gaúcha considera o preço mínimo da uva relevante para a cadeia produtiva, mas salienta que é necessária uma relação mais próxima entre a indústria e o produtor para que os valores sejam benéficos para ambos os lados.
“O preço mínimo da uva acho muito importante e que temos ainda que trabalhar, mas precisamos ter um encontro do setor. A cadeia produtiva deve seguir seus valores, pois não é estabelecido pelo governo quem compra e quem vende, e sim trata-se de um balizador que faz com que a cadeia produtiva cresça”, explica o presidente do sindicato, Elson Schneider.
O presidente afirma que há outras questões relevantes a serem discutidas em relação às questões econômicas e de mercado que cercam a cadeia produtiva vitivinícola, e que se sobressaem quanto ao debate do preço mínimo da uva. “Será que é isso que o setor precisa, somente o grau de açúcar que é a valorização pela qualidade? Ou, por exemplo, choveu três dias antes da colheita, reduziu o grau de açúcar, o agricultor perdeu a qualidade dessa uva? A indústria deixou de elaborar um bom vinho, um bom suco de uva? Isso que o setor precisa discutir”, opina Elson, que conclui:
“Paira-se sempre no preço mínimo da uva, o produtor já vai podar pensando no preço mínimo da uva, a indústria já vai pensando o quanto menos vai querer pagar. Não sou nada contra o preço mínimo da uva, mas precisamos evoluir para que o setor encontre a saída e o desenvolvimento muito mais rápido do que se encontra atualmente”, analisa.
O presidente do sindicato também enalteceu a importância de a indústria cativar o produtor rural para obter uma boa qualidade em sua produção. “As vinícolas que respeitam a tabela, o pagamento, parabenizo e fortemente, pois essa é a caminhada. Quem não respeita isso é um tanto quanto desafiador para eles próprios, pois o produtor rural produz a matéria-prima e a indústria tem que cativar o seu produtor rural para obter a matéria prima da melhor forma possível, e não é desrespeitando o produtor que vamos ter um futuro promissor”, comenta.