Sábado, 04 de Abril de 2026
Publicidade

Tesouro do Estado firma convênio para projeto que garante avanço tecnológico em compras públicas

Um termo de convênio entre Secretaria da Fazenda (Sefaz), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs) para o desenvolvimento e a transferência de tecnologia.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio Fonte: Secom Rio Grande do Sul
07/02/2022 às 06h05
Tesouro do Estado firma convênio para projeto que garante avanço tecnológico em compras públicas
-

Um termo de convênio entre Secretaria da Fazenda (Sefaz), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs) para o desenvolvimento e a transferência de tecnologia em ciência de dados para aprimoramento do modelo de precificação para compras públicas estaduais com base na NF-e. Para a equipe do Tesouro do Estado, que conduz a iniciativa no âmbito do Profisco II, firmar o termo representa a conclusão de um esforço exemplar de diferentes áreas e o início de um projeto inovador. A assinatura ocorreu em 27 de janeiro.

“Há um grande valor nesse trabalho conjunto, reunindo inteligências, acessando pesquisa acadêmica com o desenvolvimento de metodologias que somem ao conhecimento instalado aqui na Sefaz. O Tesouro busca historicamente trabalhar na qualidade de gasto, para além da gestão do fluxo de caixa, observar oportunidades de melhorias. É um reforço muito importante porque, além de tudo, tem a virtude de reunir diversas áreas da Fazenda, capazes de coordenar novas soluções”, avalia o subsecretário do Tesouro do Estado, Bruno Jatene.

"É com comprometimento e entusiasmo que gerimos projetos. Somos comprometidos e gerimos os recursos, dentro do período, de forma transparente, buscando gerar os melhores resultados. Consideramos este um projeto importante que trará grandes resultados para a pesquisa e para a sociedade", afirma Cristiane Souza, gerente administrativa da Faurgs.

O projeto de Precificação NFe teve início em 2012, quando o Tesouro do Estado, em conjunto com a Receita Estadual, identificou a oportunidade de utilizar a base de dados das notas fiscais eletrônicas (NFes) para estabelecer preços referenciais de mercado que pudessem orientar as compras públicas. A qualificação das compras públicas e, mais especificamente, o desenvolvimento de tecnologia para gerar sistematicamente informações de “preços de referência” para bens adquiridos pela administração pública estadual compõem um dos eixos de atuação do Programa de Qualidade do Gasto.

À época, foi definido que a análise iniciaria pelos medicamentos, por conta da possibilidade de identificar as transações por meio do código de barras informado pelos contribuintes. A decisão se mostrou acertada, de forma que, em 2016, a metodologia não apenas já estava consolidada (com resultados estatisticamente robustos), como já se encontrava implementada na Secretaria Estadual da Saúde e no Instituto de Previdência e Saúde do Rio Grande do Sul (IPERGS).

A expansão natural do projeto foi precificar produtos em geral, que não fossem medicamentos, de modo a auxiliar a Central de Licitações (Celic). No entanto, a precificação de bens em geral demandou do Tesouro do Estado o desenvolvimento de soluções próprias, capazes de identificar transações no banco NF-e partindo apenas do seu campo “descrição do produto”, que é um campo de texto livre.

É neste contexto que se insere este novo projeto, que objetiva alavancar a capacidade de desenvolver soluções para aumentar a gama de produtos precificados. Entende-se que o caminho para isso é garantir uma constante e sólida evolução da metodologia, por meio de um aprofundamento no nível de conhecimento acerca das teorias matemáticas e estatísticas que dão suporte às técnicas empregadas.

Conforme explica o chefe da Divisão de Estudos Econômicos e Qualidade do Gasto (DEQG), Marcos Bosio, "a tecnologia atualmente utilizada foi inteiramente desenvolvida pelos colegas Israel Fama e Eduardo Akira, com excelentes resultados. Com este convênio, estaremos incorporando outros pesquisadores ao projeto, permitindo a exploração de outras abordagens com foco na melhoria dos processos já utilizados."

No caminho da inovação

Um dos parceiros do Tesouro do Estado nesta iniciativa é o Instituto de Matemática e Estatística (IME) da UFRGS, unidade universitária que tem por missão prover a educação superior e a produção de conhecimento, integradas no ensino, na pesquisa e na extensão, no domínio da Matemática, da Estatística e áreas correlatas.

Por meio das linhas de pesquisa, é possível englobar as mais variadas técnicas envolvendo os conceitos de Machine Learning, Statistical Learning, Inteligência Artificial e Big Data, que dão forte subsídio ao processo de Ciência de Dados necessário para o desenvolvimento do projeto.

As soluções até aqui desenvolvidas empregam técnicas complexas de Machine/Statistical Learning, notadamente, Support Vector Machine (SVM) e Cadeias de Markov. Para garantir uma constante e sólida evolução é necessário um aprofundamento no nível de conhecimento acerca das teorias matemáticas e estatísticas que dão suporte às técnicas já empregadas, bem como a outras que venham a ser incorporadas.

O convênio recém firmado com o Instituto de Matemática e Estatística da UFRGS (IME) objetiva aumentar a robustez das soluções existentes, além de acelerar novos desenvolvimentos de funcionalidades e análises. “Estamos vivenciando uma fase histórica marcada pelo grande volume de dados, pelo potencial computacional e pelas novas técnicas de análise de dados. Estes três cenários atuando juntamente com a matemática geram um ambiente riquíssimo de inovação e transformação. É justamente pensando nesta transformação que colocamos nossas expectativas no projeto, buscando trazer mais segurança e transparência na gestão pública por meio do aprimoramento do Modelo de Precificação para compras”, afirma o professor Rodrigo Dalla Vecchia, do IME.

Com o projeto, se espera validar os modelos existentes e propor novos; avaliar a utilização de webmining como forma de validação externa de resultado e ampliação de base; utilizar técnicas de pré-processamento e/ou normalização da base de dados, a fim de aumentar a quantidade de produtos precificados; avaliar a generalização dos resultados do modelo, como validação cruzada, além da qualidade de predição; e utilizar técnicas de aprendizagem não supervisionada para agrupamento de diferentes produtos, o que poderá acarretar a melhora da qualidade preditiva da precificação.

Texto: Ascom Sefaz e Tesouro do Estado
Edição: Secom

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários