
A maioria das pessoas que investiram na empresa de criptomoedas Indeal já tinha perdido a esperança de reaver o dinheiro. Porém, quase um ano e meio após a prisão dos sócios da empresa, uma luz no fim do túnel surgiu. A Justiça Federal autorizou a venda de criptomoedas nos Estados Unidos de um dos sócios da Indeal e deve utilizar o dinheiro para indenizar quem sofreu prejuízo ao investir na empresa.
O juiz Guilherme Beltrami, da 7a Vara Federal de Porto Alegre, atendeu a pedido do Ministério Público Federal (MPF) para que sejam vendidos nos Estados Unidos 3.537,21 Bitcoins apreendidos por ação da Polícia Federal do Rio Grande Sul, no caso da investigação da empresa Indeal, de Novo Hamburgo. O valor obtido com a negociação - hoje, seriam R$ 883.351.161,86 - deve ser enviado ao Brasil e usado para compensar quem sofreu prejuízos.
Segundo investigação da Polícia Federal e denúncia do MPF, cerca de 25 mil clientes foram lesados em um valor inicialmente estimado de R$ 1,1 bilhão. Um dos pontos que contribuiu para a decisão do magistrado foi o fato de haver limitação para a transferência de criptoativos dos Estados Unidos para América latina, em função do risco de fraudes. Com a limitação de valor, o juiz destacou que a transferência dos Bitcoins demoraria 6.192 dias ou 206 meses ou 17 anos. Por isso, a medida mais viável seria a venda no Exterior e posterior envio dos valores.
O magistrado também registrou que "deverá ser formado juízo universal de credores da InDeal, a fim de que os valores obtidos com as medidas assecuratórias de natureza criminal sejam postos à disposição, informando os pedidos de reserva de crédito e penhoras no rosto dos autos averbados".
O advogado dos sócios, William Albuquerque de Sousa Faria, diz que recorreu da decisão para que os Bitcoins sejam vendidos em território nacional para evitar possível desvalorização. A defesa está propondo acordo com os clientes para tentar liberação dos valores apreendidos por meio de um pedido de recuperação extrajudicial que será movido na Justiça de São Paulo. A origem da investigação resultou na Operação Egypto, da Polícia Federal, desencadeada em maio de 2019.
Há 15 réus na ação penal resultante desse inquérito e da denúncia do MPF. Na semana que passou, três dos sócios foram presos novamente por, segundo a PF, continuar cometendo crimes. A defesa deles diz que foram movidos habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 4ª Região.