
Fernanda Pauletto D'Arrigo, de 32 anos, moradora de Bento Gonçalves, foi promovida a gerente no seu emprego. Mãe de um filho de 10 anos, agora, ela necessita pegar a estrada todos os dias da semana para trabalhar em Caxias do Sul. Os riscos de percorrer esse trajeto fizeram com que ela procurasse um seguro. No entanto, ela não considerou apenas a cobertura por morte acidental. Devido ao atual cenário de pandemia, Fernanda optou por incluir morte natural pensando na proteção de sua família tendo em vista o risco de contaminação de Covid-19 em seu local de trabalho.
Fernanda é uma das diversas pessoas que optaram por procurar um seguro de vida em meio à pandemia, devido às incertezas do atual cenário. De acordo com dados da Superintendência de Seguros Privados, houve um aumento significativo no faturamento de seguradoras por conta da procura pela aquisição dessa modalidade de seguro.
Em 2020, o crescimento em nível nacional foi de 11,45%, atingindo mais de R$ 19 milhões, enquanto no Rio Grande do Sul foi de 10,01%. Por outro lado, também houve significativo aumento em sinistros, ou seja, pagamentos que as seguradoras tiveram que reembolsar. No país, observou-se um acréscimo de 6,59% e, no estado, um aumento de 8,02%.
Na Minuto Seguros, uma das maiores corretoras on-line de seguros do Brasil, registrou-se um aumento de mais de 100% na procura por seguros de vida durante o período de pandemia, segundo o sócio-diretor Manes Erlichman. "Logo em março do ano passado houve uma procura muito grande. Naquela época, boa parte das seguradoras não cobriam Covid-19, pois desconheciam o assunto. Nos meses seguintes, as seguradoras começaram a dar cobertura por mortes decorrentes do vírus", explica.
De acordo com Manes, apesar de a população brasileira não ter a cultura de contratar um seguro de vida em comparação a outros países, a pandemia promoveu a conscientização pela busca por proteção. "De uma forma geral, não é um seguro que o brasileiro tem muita cultura para contratação. Quando você pega uma situação como essa de pandemia, em uma situação que as pessoas próximas começam a morrer, a população começa a ficar preocupada", analisa.
Além disso, outro fator que o sócio-diretor da corretora salienta e que pode justificar o significativo aumento é o fato de a pandemia também ter atingido pessoas com uma faixa etária menor e economicamente ativa. "Quando você entrevista as pessoas que vieram procurar o produto, elas vieram de fato pela preocupação com a morte decorrente da doença. Tivemos que aumentar o número de consultores na área, pois a preocupação com a proteção com a família é muito grande", comenta Manes.
Manes Erlichman, sódio-diretor da Minuto Seguros, salienta que o povo brasileiro não tem costume de falar do futuro pós-morte (Foto: Minuto Seguros/Reprodução)Ao aceitar o novo cargo, a primeira coisa que Fernanda fez foi realizar a contratação de um seguro. O motivo principal foi justamente o fato de ter que percorrer um longo caminho todos os dias até Caxias do Sul, mas o momento atual a fez repensar. "Tinha previsto no início apenas a cobertura por morte acidental, mas resolvi considerar a questão de morte natural tendo em vista o cenário de pandemia. Nunca sabemos o que pode acontecer e isso pesa muito, mais uma vez pensando na questão de família, filhos, no sustento da casa, isso acaba impactando bastante", destaca Fernanda.
Aumento na importância assegurada
Além do aumento da procura por seguros de vida, as corretoras também relataram um crescimento quanto à importância assegurada, ou seja, uma alta no limite de indenização. Pessoas que já contavam com seguros de vida optaram por ampliar os capitais assegurados.
De acordo com Manes, o aumento se deve ao cenário de preocupação por conta da pandemia. "As pessoas faziam um limite de indenização mais baixo e eram valores muitas vezes insuficientes para suprir essa família caso a pessoa viesse a falecer. Agora, os clientes estão contratando capitais maiores, pois o próprio evento da morte gera despesas para a família. Todos passaram a se preocupar por ter casos próximos. As pessoas também estão mais preocupadas pelo fato da crise econômica", opina.
Manes Erlichman, sódio-diretor da Minuto Seguros, salienta que o povo brasileiro não tem costume de falar do futuro pós-morte (Foto: Minuto Seguros/Reprodução)
O crescimento também foi notado na Realize Mais Seguros e Previdência, de Bento Gonçalves. Segundo o diretor, Magnus Riviera Gomes, as pessoas optaram por melhorar as suas coberturas com receio da pandemia. Na corretora, houve um aumento de 19% a 20% na procura por esse tipo de proteção, conforme relata o diretor.
Os valores para a aquisição dos seguros de vida, no entanto, não sofreram modificações, segundo Magnus. "Trabalhamos com quatro companhias especializadas. Não identificamos aumento por parte delas a respeito de preços por conta da pandemia. O que existe, sim, no critério de precificação do seguro de vida é que se leva em consideração a idade, o histórico de saúde familiar, atividade que ela exerce, hábitos, esportes que pratica. Tudo isso acaba pesando", explica.
Brasileiro é supersiticioso para falar de morte, afirma sócio-diretor da Minuto Seguros
Manes analisa que o brasileiro é ainda consideravelmente supersticioso ao falar de morte e pouco projeta o futuro dos que permanecem após seu falecimento. "Essa conscientização tinha que vir de ontem. Estamos muito atrasados no Brasil. As pessoas estão se conscientizando, pois estão se sensibilizando pelas mortes", comenta.
O sócio-diretor da Minuto Seguros destaca, sobretudo, a importância de profissionais liberais, que trabalham por conta própria e que fazem parte da economia informal, contarem com algum tipo de proteção.
Além disso, seguros de vida também cobrem outras particularidades, a não ser somente a morte, como explica Magnus: "O seguro de vida é fundamental, independente da pandemia. O seguro de vida cobre, em vida, doenças graves, invalidez permanente ou parcial, diárias de internação hospitalar. A pandemia só veio exacerbar o quão frágil é a nossa vida. No dia-a-dia não conseguimos perceber e acabamos por não tratar desse assunto", analisa.
Para a gerente Fernanda, a aquisição do seguro de vida promoveu o sentimento de maior segurança para sair de casa, pegar a estrada e trabalhar. "Acho que fiz uma boa escolha, mas espero nunca precisar dele tão cedo. Com isso me sinto bastante segura para poder trabalhar, e se algo acontecer a minha família estará garantida e segura por um bom tempo. Isso me dá mais tranquilidade", salienta.