
A Polícia Civil instaurou inquérito policial para apurar a criação e o compartilhamento de listas de boicote a empresários e moradores de Gramado e Canela, na Serra Gaúcha. As listas, que passaram a circular em grupos de mensagens e redes sociais após a divulgação do resultado das eleições, tinham como objetivo identificar, constranger e prejudicar comercialmente estabelecimentos e pessoas físicas associados a posições políticas de esquerda.
A apuração conduzida pela Delegacia de Polícia de Canela, sob a titularidade do delegado Vladimir Medeiros, investiga a prática de possíveis crimes enquadrados na Lei nº 7.716/1989, que pune a indução ou incitação à discriminação e ao preconceito. A investigação avalia se o conteúdo das publicações extrapolou os limites do debate político e da liberdade de expressão ao estimular preconceito de procedência regional e isolamento econômico. Comerciantes e cidadãos — em sua maioria mulheres — relataram episódios de intimidação presencial e virtual, resultando em mais de 30 Boletins de Ocorrência formalizados.
Frente aos constrangimentos, um grupo de advogados reuniu provas documentais, incluindo prints de conversas e a identificação dos administradores e divulgadores dos grupos, e acionou o Ministério Público (MP), o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a subseção da OAB. Entidades empresariais, a exemplo da Associação Comercial e Industrial de Canela (ACIC), manifestaram-se publicamente condenando os ataques e defendendo a preservação do ambiente de negócios e do turismo na região.