
O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou ter destinado R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi divulgada nesta sexta-feira (9) pela revista Veja, com base em áudios e documentos obtidos pela publicação. Segundo o ex-banqueiro, os supostos pagamentos estariam relacionados a negociações para facilitar negócios com fundos de pensão ligados a empresas estatais. As acusações ainda não foram comprovadas.
De acordo com a revista, Vorcaro relatou ter negociado com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, um acordo que permitiria ao Banco Master acessar recursos de fundos de previdência de servidores e funcionários de empresas públicas.
O empresário, preso desde março, teria apresentado parte dessas informações à Procuradoria-Geral da República (PGR) em junho, durante uma tentativa de firmar acordo de colaboração premiada que não avançou.
Segundo a reportagem da Veja, Vorcaro afirmou que os R$ 30 milhões teriam sido destinados ao Instituto Lula, presidido por Paulo Okamotto, para financiar a produção de um documentário sobre o presidente no exterior.
O filme mencionado seria Lula, dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone, que reúne depoimentos de amigos e aliados do presidente brasileiro.
O ex-banqueiro também relatou a existência de outro pagamento ao Instituto Lula, mas não informou o valor.
As afirmações fazem parte do relato atribuído a Vorcaro. Até o momento, não há comprovação pública de que os R$ 30 milhões tenham sido efetivamente entregues ao instituto ou utilizados na produção cinematográfica.
Ainda conforme a Veja, Vorcaro afirmou que a aproximação com integrantes do PT teria sido articulada por Augusto Lima, então executivo do Banco Master.
O senador Jaques Wagner, que exercia a liderança do governo Lula no Senado, também foi citado no relato como responsável por intermediar um primeiro encontro com João Vaccari Neto.
Segundo o ex-banqueiro, Vaccari teria exigido uma comissão de 10% sobre os recursos que o Master conseguisse captar junto a fundos de previdência ligados à Caixa Econômica Federal, ao Banco do Brasil, à Petrobras e aos Correios.
A projeção apresentada no relato indicava a possibilidade de movimentar R$ 10 bilhões, dos quais R$ 1 bilhão corresponderia à suposta comissão e R$ 9 bilhões permaneceriam com o banco.
Esses valores representam uma estimativa atribuída a Vorcaro, e não pagamentos ou movimentações comprovadamente realizados.
A revista também cita o ministro Alexandre Padilha entre os nomes mencionados pelo ex-banqueiro nas supostas articulações relacionadas aos fundos de pensão.
Procurado pela Veja, o presidente Lula negou qualquer participação nos supostos pagamentos.
Segundo a manifestação divulgada pela revista, Lula afirmou que jamais solicitou ou recebeu vantagens financeiras de Vorcaro e que não autorizou terceiros a receber recursos em seu nome.
As declarações do ex-banqueiro não constituem, por si só, prova de participação do presidente ou das demais pessoas mencionadas em eventuais irregularidades.
A publicação das acusações ocorre durante a disputa do segundo turno da eleição presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
Após a divulgação da reportagem, os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, ligados ao grupo Prerrogativas, apresentaram uma notícia de fato à Polícia Federal solicitando investigação sobre uma possível articulação envolvendo Vorcaro e pessoas próximas à campanha de Flávio Bolsonaro.
Os advogados suspeitam que as acusações possam ser utilizadas para atingir Lula durante a campanha, em um momento de grande repercussão política.
Essa hipótese também não está comprovada. O pedido pretende esclarecer se houve alguma atuação coordenada com finalidade eleitoral.
O ex-controlador do Banco Master também é investigado por suspeitas relacionadas ao financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro, intitulada Dark Horse.
As duas produções cinematográficas aparecem no contexto das apurações sobre as relações políticas e financeiras de Vorcaro.
No caso do documentário sobre Lula, as declarações divulgadas pela Veja ainda dependem de comprovação quanto à existência dos pagamentos, à origem dos recursos e à eventual participação das pessoas citadas.