
Clubes de futebol brasileiros, incluindo Grêmio e Juventude, criticaram nesta quinta-feira a proposta do governo federal de proibir a atuação dos cassinos online, conhecidos como bets, no Brasil. A manifestação foi feita em conjunto por meio das redes sociais. Os clubes argumentam que a proibição traria um desequilíbrio financeiro ao esporte, já que as bets são atualmente as principais patrocinadoras de muitos times, dos grandes aos pequenos. "Para muitos dessas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do País, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento", afirmaram. Além disso, os clubes destacaram que as receitas provenientes das bets são essenciais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento e projetos sociais. A possível queda abrupta de receita afetaria diretamente áreas como o futebol feminino e a formação de novos talentos, que dependem desses recursos. O texto também defende a regulamentação do setor, alertando que a proibição poderia levar o público a utilizar plataformas clandestinas. "Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades", explicaram. Entre os clubes que se manifestaram estão Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Santos, Botafogo, Fluminense, Cruzeiro e Vasco. A Federação Paulista de Futebol também compartilhou a declaração. Internacional e Atlético Mineiro não se manifestaram até o momento. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria preparando uma Medida Provisória para proibir a operação dos cassinos online no país. A expectativa é que a medida seja publicada e enviada ao Congresso Nacional em breve, antes do 1º turno das eleições. A proposta atual do governo não inclui apostas esportivas e patrocínios em sua proibição imediata, mas prevê uma cláusula de vigência de 180 dias após a aprovação pelo Congresso. No início do mês, um projeto de lei que visa proibir a publicidade de bets avançou no Senado, aguardando apenas o aval da Comissão de Assuntos Sociais.