
O Rio Grande do Sul atingiu a marca de 49 feminicídios em 2026. O número reforça o cenário de violência contra as mulheres no Estado. Na sexta-feira, 14, uma mulher foi morta a facadas pelo companheiro. O homem tirou sua vida após o crime. O caso ocorreu em Salto do Jacuí, no Noroeste gaúcho.
A Polícia Civil investiga como possível feminicídio seguido de suicídio a morte de um casal dentro de sua residência. Os corpos foram encontrados pelo neto das vítimas na manhã de sexta-feira (14). O casal foi identificado como Miraci Teresinha Birgeier, de 73 anos, e Orlando Birgeier, de 76. Conforme as informações preliminares da polícia, a mulher apresentava ferimentos provocados por faca. O homem tinha marcas de tiros.
A principal hipótese apurada é de que Orlando tenha matado a esposa e, em seguida, tirado a própria vida. A Polícia Civil ressalta, entretanto, que essa possibilidade ainda não foi comprovada e que outras linhas de investigação não estão descartadas.
Os investigadores ainda tentam determinar quando as mortes ocorreram e reconstruir os últimos momentos do casal. Testemunhas deverão ser ouvidas nos próximos dias, enquanto os resultados dos exames periciais serão fundamentais para esclarecer a dinâmica das mortes.
De acordo com as autoridades, não havia medida protetiva em vigor nem registros policiais anteriores relacionados ao casal. A inexistência de ocorrências, porém, não permite concluir se havia ou não um histórico de violência que nunca chegou ao conhecimento dos órgãos de segurança.
O caso somente será incluído oficialmente nas estatísticas de feminicídio se a investigação confirmar que Miraci foi morta em razão da condição de mulher, dentro de um contexto de violência doméstica, familiar ou de gênero.
O avanço dos registros ao longo do ano mobiliza autoridades e organizações de defesa das mulheres. Em 8 de março, o próprio governo estadual informou que o Rio Grande do Sul já havia registrado 20 feminicídios em 2026. No fim de julho, uma ação da rede estadual de proteção alertou que o número se aproximava de 50 vítimas.
Além das mortes consumadas, as tentativas de feminicídio, agressões, ameaças e outros crimes cometidos no ambiente doméstico ampliam o desafio enfrentado pelas redes de acolhimento e segurança.
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 180. Em situações de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Brigada Militar pelo 190. As denúncias também podem ser encaminhadas de forma anônima pelo número 181.