Quarta, 16 de Setembro de 2026
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Rede de óticas de Bento é investigada por possível fraude de ICMS

Receita Estadual apura suspeita de fracionamento de empresas e uso de CNPJs em nome de “laranjas”.

Redação
Por: Redação
15/08/2026 às 07h24 Atualizada em 15/08/2026 às 09h38
Rede de óticas de Bento é investigada por possível fraude de ICMS
Foto: Reprodução

Uma rede de lojas do setor óptico com atuação em Bento Gonçalves e outros três municípios da Serra Gaúcha é investigada pela Receita Estadual por suspeita de fraude tributária envolvendo o fracionamento de empresas e a utilização de pessoas jurídicas consideradas “laranjas”.

A investigação faz parte da 11ª fase da Operação Affettare, deflagrada nesta sexta-feira (14). Segundo a Receita Estadual, foram analisados R$ 145 milhões em operações realizadas nos últimos cinco anos, com o faturamento distribuído entre diferentes empresas.

O Fisco estima que o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) devido, acrescido de multas e juros, possa chegar a R$ 20 milhões.

A operação teve como alvo um grupo de lojas de artigos ópticos com estabelecimentos em Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Garibaldi e Flores da Cunha. A Receita não informou, nos dados divulgados, o nome da rede investigada.

Suspeita é de faturamento pulverizado

De acordo com a Receita Estadual, há indícios de que o grupo tenha promovido o fracionamento das empresas para pulverizar o faturamento entre diferentes CNPJs, permitindo que as pessoas jurídicas permanecessem enquadradas no Simples Nacional.

A suspeita é de que parte desses CNPJs estivesse vinculada a “laranjas”, enquanto, na prática, os estabelecimentos fariam parte de uma mesma estrutura empresarial.

O Simples Nacional estabelece limites de faturamento e oferece tratamento tributário diferenciado para micro e pequenas empresas. Conforme a investigação, a divisão artificial das operações permitiria que empresas que, consideradas em conjunto, poderiam não se enquadrar no regime usufruíssem de uma carga tributária menor.

É justamente essa estrutura que os auditores-fiscais tentam comprovar a partir da análise de documentos, movimentações e demais elementos recolhidos durante a operação.

A Receita afirma que a ação busca, além de recuperar valores eventualmente sonegados, combater a concorrência desleal no setor, uma vez que empresas que recolhem os tributos regularmente podem competir em condições desfavoráveis diante de negócios que reduzem artificialmente sua carga tributária.

21 auditores participaram da operação

A ação foi conduzida pelo Grupo Especializado Setorial de Calçados e Vestuários, sediado na Delegacia da Receita Estadual de Novo Hamburgo (4ª DRE).

Ao todo, 21 auditores-fiscais foram mobilizados para cumprir diligências em diferentes estabelecimentos. A operação teve como objetivo a busca e apreensão de documentos e outras provas que possam demonstrar como funcionava a suposta estrutura de fracionamento empresarial.

Caso a fraude seja comprovada, segundo a Receita Estadual, as empresas envolvidas poderão ser excluídas do Simples Nacional e autuadas para o pagamento do ICMS que deixou de ser recolhido.

Também poderá ser aplicada multa por infração qualificada equivalente a 100% do imposto devido, além da incidência de juros.

Operação faz referência ao “fatiamento” das empresas

O nome Affettare faz referência à palavra italiana relacionada ao ato de “fatiar”. A denominação foi escolhida justamente em alusão ao mecanismo investigado pela Receita: a divisão de uma atividade empresarial entre diferentes pessoas jurídicas para pulverizar o faturamento.

Esta é a 11ª fase da operação, voltada ao combate de estruturas empresariais suspeitas de utilizar esse tipo de mecanismo para reduzir irregularmente o pagamento de impostos.

A investigação fiscal prossegue com a análise do material obtido durante as diligências. Até a conclusão do procedimento, as irregularidades apontadas pela Receita são tratadas como suspeitas e indícios, e a eventual responsabilização das empresas dependerá da comprovação da fraude no processo fiscal.