
Uma aposentada residente em Passo Fundo, no Norte do Rio Grande do Sul, foi surpreendida ao receber faturas de energia elétrica com valores extremamente elevados e incompatíveis com seu padrão de consumo. Leonora Rugan, que mora sozinha, recebeu uma conta de R$ 16.605,70 referente ao consumo do mês de junho e outra de R$ 16.959,70 no mês seguinte.
Antes de receber os dois boletos de mais de R$ 16 mil, a moradora já havia registrado uma cobrança atípica de quase R$ 3 mil. O histórico habitual da residência costumava oscilar entre R$ 260 e R$ 319, conforme verificado nas contas de março e abril. Diante do valor expressivo, a moradora procurou a concessionária CPFL RGE e solicitou uma vistoria no medidor de energia de sua casa, mas o procedimento ainda não havia sido realizado.
O caso de Leonora ocorre em meio ao aumento de insatisfações por parte de consumidores de Passo Fundo em relação às cobranças da concessionária. Desde o início de julho, o Procon do município registrou mais de 50 reclamações relacionadas a valores acima do habitual. Na mesma linha, o Balcão do Consumidor contabilizou cerca de 50 queixas apenas na última semana.
Em razão do expressivo volume de relatos, o Balcão do Consumidor encaminhou uma demanda coletiva ao Ministério Público para que a situação seja apurada. O promotor de Justiça Cristiano Ledur informou que o órgão recebeu o documento na segunda-feira (10).
Resumo do caso em Passo Fundo:
Cobrança atípica: Aposentada que mora sozinha recebe duas faturas de quase R$ 17 mil em meses consecutivos.
Histórico: Consumo médio anterior da moradora ficava entre R$ 260 e R$ 319.
Volume de queixas: Mais de 100 reclamações somadas entre Procon e Balcão do Consumidor.
Ação judicial: Ministério Público recebeu demanda coletiva enviada pelo Balcão do Consumidor.
Posição da RGE: Empresa afirma que auditou os casos e não identificou erros de faturamento, atribuindo os valores ao aumento real de consumo.
Em manifestação oficial, a CPFL RGE informou que adota diferentes etapas de verificação antes de emitir as contas. De acordo com o gerente de Serviços Comerciais da empresa, Fábio Calvo, os dados de consumo são conferidos durante o faturamento e, nas análises realizadas até o momento, foram constatados aumentos efetivos no consumo dos clientes, sem registros de cobranças indevidas. A orientação da empresa para quem identificar valores fora do padrão é abrir um protocolo de verificação com a própria RGE e, caso o problema persista, buscar o Procon ou o Balcão do Consumidor.