
Bento Gonçalves fechou o primeiro semestre com saldo positivo de 1.007 empregos formais — número que mantém a cidade entre as que mais geram vagas no Rio Grande do Sul (12ª colocada), mas que representa uma queda de 36,7% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados são do Observatório Econômico (OECON), do CIC-BG.
A desaceleração não é exclusiva de Bento. No Brasil, a redução no ritmo de contratações foi de 25%; no Rio Grande do Sul, o desempenho foi ainda pior, com queda de 45,9%. Ou seja: a cidade desacelerou menos que o Estado, mas mais que a média nacional.
A indústria puxou o freio
A principal explicação está na indústria. O setor segue sendo o que mais gera empregos formais no município — 364 vagas no semestre —, mas o número está 52,5% abaixo do registrado entre janeiro e junho de 2025. Dentro dele, a indústria de produtos alimentícios acumula saldo negativo de 33 vagas.
O comparativo de junho é o mais expressivo: no mesmo mês de 2025, Bento havia gerado 245 vagas; neste ano, foram 92. Somados, indústria e serviços tiveram queda de 62% em relação a junho do ano passado.
Nos serviços, o acumulado do semestre é positivo em 208 vagas, mas com variação negativa de 51,7% ante 2025. O comércio, que vinha em recuperação e tem a melhor variação acumulada do período (alta de 36,9%, com 115 vagas), perdeu ritmo em junho e fechou o mês com saldo negativo de 18 postos.
A construção segurou os números
Foi a construção civil que sustentou o resultado. O setor acumula 339 vagas no semestre, com crescimento de 12,3% em relação a 2025 — na contramão dos demais. Em junho, gerou 52 empregos. O segmento de obras de infraestrutura, sozinho, soma 201 novos postos em seis meses, o maior saldo entre todos os avaliados.
O dado que revela outra coisa
Há um indicador no levantamento que vai além do número de vagas: o tempo de permanência no emprego. Em Bento Gonçalves, o trabalhador fica em média 15,1 meses antes de ser demitido. No Rio Grande do Sul e no Brasil, essa média é de 18,3 meses.
A exceção local é justamente a construção civil, com média de 12,3 meses — semelhante aos índices nacional e estadual para o setor. Todos os demais setores da cidade mantêm o trabalhador empregado por menos tempo do que a média do Estado e do país.
Formais e MEIs
A cidade encerrou o semestre com 51.207 trabalhadores formais, abaixo dos mais de 52 mil registrados em fevereiro, mas 2% acima do fechamento do ano passado. No mesmo período, o número de microempreendedores individuais também cresceu: são 13.871 MEIs, alta de 2,1%.
A relação entre as duas formas de trabalho vem se estreitando. Em geral, Bento tem um MEI para cada quatro empregados formais; em junho, a proporção passou a um para cada 3,7.
Pela projeção do OECON, a cidade pode atingir 51,7 mil empregos formais em julho.