
Começa nesta segunda-feira (20) o período de convenções partidárias das eleições de 2026. Até 5 de agosto, partidos e federações poderão realizar os encontros destinados à escolha de candidatos e à definição de eventuais coligações para as disputas majoritárias.
As convenções representam uma etapa indispensável para quem pretende concorrer. “O candidato, para que obtenha o deferimento do seu registro de candidatura, deverá, necessariamente, ter sido escolhido em convenção”, explica Guilherme Barcelos, especialista em Direito Eleitoral e sócio do Barcelos Alarcon Advogados.
Na prática, é durante esses encontros que os pré-candidatos são formalmente escolhidos pelas legendas. A participação na convenção, entretanto, não garante automaticamente a candidatura: os nomes ainda precisam ser registrados e aprovados pela Justiça Eleitoral.
Em 2026, os brasileiros irão às urnas para eleger presidente e vice-presidente da República, governadores e vice-governadores, dois senadores por estado, além de deputados federais, estaduais e distritais.
Encerradas as convenções, partidos, federações e coligações terão até as 19h de 15 de agosto para apresentar os pedidos de registro. A propaganda eleitoral nas ruas e na internet será permitida a partir de 16 de agosto. O calendário foi estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral.
No Rio Grande do Sul, pelo menos seis partidos com pré-candidatos ao Palácio Piratini já divulgaram as datas de suas convenções estaduais.
O primeiro encontro será realizado pelo PL, na quarta-feira (22), no Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre. A legenda deve confirmar o deputado federal Luciano Zucco como candidato ao governo, tendo a deputada estadual Silvana Covatti (PP) como vice.
A chapa apoiará os deputados federais Marcel van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL) para as duas vagas do Rio Grande do Sul no Senado.
No sábado (25), será a vez do PDT oficializar a candidatura de Juliana Brizola ao governo estadual. A convenção está marcada para a Casa do Gaúcho, em Porto Alegre. Edegar Pretto (PT) deverá ser confirmado como candidato a vice. Manuela d’Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT) integram a composição prevista para a disputa ao Senado.
O PSDB marcou sua convenção para 30 de julho, na Câmara Municipal de Porto Alegre. O partido pretende lançar Marcelo Maranata ao governo e Cláudio Diaz como vice. Milton Cardoso (PSDB) e Renato Jaguarão (Cidadania) devem disputar as vagas ao Senado.
Duas convenções estão previstas para 1º de agosto. O MDB deverá confirmar o atual vice-governador Gabriel Souza como candidato ao Piratini, em encontro no Teatro Dante Barone. A composição tem Ernani Polo (PSD) como vice e o ex-governador Germano Rigotto (MDB) e o deputado estadual Frederico Antunes (PSD) como postulantes ao Senado.
O PSTU, por sua vez, pretende lançar Rejane de Oliveira ao governo e Adão Lima como vice. Régis Ethur e Daniela Maidana deverão compor a chapa para o Senado.
Fechando a agenda já divulgada, a Unidade Popular (UP) realizará sua convenção em 2 de agosto. Priscila Voigt deverá ser confirmada como candidata ao governo, acompanhada de Naf Nascimento como vice. Tânia Peres e Luciano do MLB são os nomes previstos para a disputa ao Senado.
As datas e composições ainda podem sofrer alterações até a realização das convenções.
Entre os principais nomes da corrida presidencial, cinco já possuem convenções agendadas. Quatro eventos serão realizados em São Paulo, maior colégio eleitoral do país:
25 de julho: Flávio Bolsonaro, do PL, em São Paulo;
26 de julho: Ronaldo Caiado, do PSD, em São Paulo;
27 de julho: Romeu Zema, do Novo, em Brasília;
1º de agosto: Renan Santos, do Missão, em São Paulo;
2 de agosto: Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, em São Paulo.
Até que sejam escolhidos nas convenções e tenham os registros apresentados à Justiça Eleitoral, os nomes permanecem na condição de pré-candidatos.
Cada partido pode definir a data e o formato de sua convenção, que poderá ser presencial, virtual ou híbrida. Os critérios internos de escolha também são estabelecidos pelas legendas e federações, respeitadas as normas estatutárias e eleitorais.
As federações, formadas por partidos que se comprometem a atuar conjuntamente por pelo menos quatro anos, realizam convenções unificadas. Já as coligações podem ser constituídas apenas para as eleições majoritárias — presidente, governador e senador.
Nas disputas proporcionais para a Câmara dos Deputados e as assembleias legislativas, as listas apresentadas devem respeitar a cota de gênero, com o mínimo de 30% e o máximo de 70% de candidaturas de cada sexo.
As convenções também definem os números que serão utilizados pelos candidatos nas urnas. Além disso, devem produzir uma ata com as deliberações e uma lista de presença. Os documentos precisam ser encaminhados à Justiça Eleitoral até o dia seguinte ao encontro e publicados no sistema DivulgaCandContas.
Os partidos devem possuir órgãos de direção regularmente constituídos e anotados na Justiça Eleitoral na data da convenção. Os encontros podem ser realizados gratuitamente em prédios públicos, desde que o responsável pelo espaço seja comunicado com pelo menos uma semana de antecedência e a legenda assuma a responsabilidade por eventuais danos.
Nos 15 dias anteriores à convenção, os interessados podem fazer propaganda intrapartidária para conquistar o apoio dos filiados. Essa divulgação deve permanecer restrita ao ambiente partidário e não pode ser veiculada em rádio, televisão ou outdoors. As regras completas estão disponíveis no TSE.