
A formação profissional de enólogos no Brasil começou em Bento Gonçalves. Criada em 1959, a Escola de Viticultura e Enologia foi a primeira instituição do país dedicada ao ensino técnico da produção de uvas e vinhos. Sua trajetória deu origem ao atual Campus Bento Gonçalves do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS).
A escola foi criada pela Lei nº 3.646, de 22 de outubro de 1959, ligada ao Ministério da Agricultura. As atividades começaram efetivamente em 27 de março de 1960, em instalações provisórias no prédio da Estação Experimental de Enologia. O local daria origem, posteriormente, à Embrapa Uva e Vinho.
Naquele período, a produção de vinho na Serra Gaúcha estava ligada principalmente ao conhecimento transmitido entre as famílias. A criação da escola introduziu uma formação voltada à aplicação de métodos técnicos e científicos na viticultura e na elaboração de vinhos.
Quinze estudantes matricularam-se na primeira turma. Após três anos de curso, em 15 de dezembro de 1962, a instituição realizou a formatura do primeiro grupo de técnicos em Viticultura e Enologia formado no Brasil.
Entre os alunos do primeiro curso estava Firmino Splendor, que posteriormente se tornou professor da instituição e presidente fundador da Associação Brasileira de Enologia (ABE).
A escola passou por diferentes estruturas ao longo das décadas. Em 1964, recebeu o nome de Colégio de Viticultura e Enologia. Mais tarde, tornou-se CEFET e, posteriormente, passou a integrar o IFRS como Campus Bento Gonçalves.
A escolha de Bento Gonçalves para sediar a primeira escola brasileira da área ocorreu em uma região marcada pela produção de uvas e vinhos desde a chegada dos imigrantes italianos, em 1875. A instituição aproximou essa tradição da formação profissional necessária para acompanhar o desenvolvimento do setor vitivinícola.
Outro marco ocorreu em 1994, quando foi autorizada a oferta do primeiro curso superior de Tecnologia em Viticultura e Enologia do país. A primeira turma ingressou em 1995.
Atualmente, o Campus Bento Gonçalves do IFRS mantém formações técnicas e superiores relacionadas à vitivinicultura e recebe estudantes de diferentes regiões brasileiras.
Em 2020, a Capes aprovou o Mestrado Profissional em Viticultura e Enologia, apresentado como o primeiro mestrado da área no Brasil.
A primeira mestra em Viticultura e Enologia do país, Alana Foresti, recebeu o certificado em março de 2024. A formação ocorreu mais de seis décadas depois da criação da escola que iniciou o ensino profissional da área em Bento Gonçalves.
A trajetória da instituição ajuda a explicar o papel da cidade na vitivinicultura brasileira. Além da produção de uvas e vinhos, Bento Gonçalves tornou-se um centro de formação de profissionais para o setor.