Sexta, 10 de Julho de 2026
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Centro americano amplia para 81% o risco de El Niño “muito forte”

Boletim da NOAA indica possibilidade de um “super El Niño” com duração estendida até o outono de 2027, dobrando o risco de cheias e eventos extremos no RS

Redação
Por: Redação
09/07/2026 às 23h03
Centro americano amplia para 81% o risco de El Niño “muito forte”
Foto: Reprodução

O sinal de alerta para o planejamento climático e a infraestrutura do Rio Grande do Sul subiu de patamar. O mais recente boletim oficial da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), agência governamental dos Estados Unidos, atualizado nesta quinta-feira (9), revelou um agravamento severo nas projeções meteorológicas: a probabilidade de ocorrência de um El Niño de intensidade "muito forte" no último trimestre de 2026 saltou de 63% para impressionantes 81%.

O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial, está historicamente ligado ao aumento drástico das precipitações na região Sul do Brasil. Caso a nova projeção se confirme, o aquecimento deve atingir marcas de até 2°C acima da média histórica, configurando o que a comunidade científica chama informalmente de "super El Niño". O relatório aponta que o evento tem potencial para se posicionar entre os maiores registros climatológicos medidos no planeta desde 1950.

Duração estendida, riscos dobrados e combustível subaquático

A atualização dos dados americanos trouxe uma nova variável que preocupa especialistas em hidrologia e engenharia de produção:

  • Efeito Prolongado: A NOAA estima que há 97% de chance de o El Niño manter sua vigência e força até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte, o que equivale ao outono de 2027 no Hemisfério Sul;

  • Probabilidades de Cheias: Conforme análises do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, a persistência desse cenário duplica as chances estatísticas de enchentes severas. Um evento com probabilidade de ocorrer uma vez a cada dez anos passa a ter margem para acontecer a cada cinco anos;

  • Aquecimento Profundo: Técnicos da NOAA identificaram que, além do aumento de 1,2°C já registrado na superfície do Pacífico (classificado como moderado), as temperaturas das camadas de água subsuperficiais continuam subindo, funcionando como uma espécie de combustível térmico para inflar o sistema nos próximos meses;

  • Ações de Contingência: O cenário exige celeridade do poder público e da iniciativa privada no fortalecimento de planos de evacuação, manutenção de diques, dragagem de rios e estruturação de sistemas integrados de monitoramento meteorológico.

A tabela de classificação oficial monitorada pelos meteorologistas define as bandas de intensidade com base no desvio térmico da água:

  • Fraco: Elevação de 0,5°C a 0,9°C

  • Moderado: Elevação de 1,0°C a 1,4°C

  • Forte: Elevação de 1,5°C a 1,9°C

  • Muito Forte (Super El Niño): Elevação de 2°C ou mais

Prevenção e resiliência das cadeias produtivas na Região Uva e Vinho

O anúncio de um El Niño prolongado e de alta intensidade mobiliza setores estratégicos da economia gaúcha, sobretudo a agricultura e a logística de transportes, que dependem de estabilidade climática para escoar safras e manter operações fabris seguras. O setor cooperativista e as defesas civis da Serra Gaúcha passam a trabalhar com cronogramas preventivos mais rígidos.

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