Segunda, 06 de Julho de 2026
Publicidade

Mais de 150 corpos sem identificação são enterrados após terremotos na Venezuela

Sepultamentos em valas individuais em La Guaira escancaram crise pós-desastre e contradizem promessa do governo de identificar todas as vítimas da tragédia

Redação
Por: Redação
06/07/2026 às 00h29 Atualizada em 06/07/2026 às 00h31
Mais de 150 corpos sem identificação são enterrados após terremotos na Venezuela
Sepultamentos evidenciam a grave crise pós-desastre e a complexa busca por desaparecidos. (Foto: Miguel Medina/AFP)

O cenário pós-desastre na Venezuela ganha contornos cada vez mais dramáticos e escancara a gravidade da crise humanitária que assola o país caribenho. Passados 13 dias desde o duplo terremoto de magnitude devastadora que sacudiu o território venezuelano no dia 24 de junho, mais de 150 corpos foram sepultados sem qualquer tipo de identificação formal. A constatação foi feita por jornalistas da agência internacional AFP neste domingo (5), no estado costeiro de La Guaira, a região mais severamente castigada pelos tremores.

Os sepultamentos estão ocorrendo em uma área isolada do cemitério La Esperanza. No local, trabalhadores e moradores da região realizam uma força-tarefa para abrir covas individuais desde o dia seguinte à tragédia. A realidade observada nos cemitérios choca a população e entra em rota de colisão direta com o discurso oficial da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Em pronunciamento recente, a governante havia garantido de forma enfática que nenhuma vítima seria enterrada sem o devido reconhecimento por meio de impressões digitais, fotografias ou exames de arcada dentária forense.

Descompasso nos dados e revolta das famílias

O avanço dos sepultamentos sem nome expõe o colapso dos serviços de perícia e assistência do governo venezuelano diante da magnitude do desastre:

  • Promessas Descumpridas: "Eu, desde o início, disse: ninguém vai para vala comum", havia declarado Delcy Rodríguez em coletiva. Embora os túmulos atuais sejam individuais, a falta de identificação quebra o compromisso de dar respostas definitivas às famílias;

  • Logística Austera: Cada sepultura é marcada apenas por uma cruz branca simples e uma placa metálica com a inscrição genérica "Identificação especial", acompanhada da data da tragédia: 24 de junho de 2026;

  • Apagão de Informações: O Palácio de Miraflores evita divulgar um balanço oficial de pessoas desaparecidas. No entanto, agências internacionais ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU) projetam uma estimativa alarmante de que o número de desaparecidos possa chegar a 50 mil.

Até o momento, o balanço de mortos na região afetada já ultrapassa a marca de 3 mil vítimas fatais. O atraso na recuperação dos escombros e a falta de estrutura — que tem obrigado famílias a transportarem seus próprios mortos em veículos particulares — geram uma onda de protestos e profunda indignação popular.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários