Sábado, 04 de Julho de 2026
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Anatel abre caminho para internet da Starlink direto no celular

Agência reguladora aprova uso de faixas de frequência para conexão via satélite sem necessidade de antena, mas exige parceria obrigatória com operadoras locais

Redação
Por: Redação
04/07/2026 às 13h34
Anatel abre caminho para internet da Starlink direto no celular
Disponibilização da internet da Starlink para celular nos EUA é fruto de parceria com a T-Mobile (Foto: Danilo Berti/Canaltech)

O Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou uma medida regulatória que promete transformar o cenário da conectividade móvel no país. A agência oficializou a destinação de faixas de radiofrequência específicas para o serviço de comunicação direta entre satélites e smartphones. A decisão abre as portas do mercado nacional para a implementação da tecnologia Direct-to-Device (D2D), permitindo que empresas como a Starlink, do bilionário Elon Musk, ofereçam sinal de internet e telefonia diretamente nos aparelhos celulares dos usuários, eliminando a necessidade de antenas externas ou roteadores especiais.

A tecnologia D2D funciona, na prática, transformando os milhares de satélites que cruzam a órbita baixa da Terra (LEO) em verdadeiras "torres de celular" espaciais. Embora a Starlink seja a única companhia com a infraestrutura aeroespacial e tecnológica totalmente pronta para ativar o recurso de forma imediata, a resolução da Anatel também beneficiará concorrentes do setor de telecomunicações via satélite que venham a pleitear o serviço no futuro.

O "porém" regulatório e a gratuidade inicial

Apesar do avanço, a liberação da agência reguladora impõe uma condição comercial e técnica rígida para o funcionamento do ecossistema:

  • Parceria Obrigatória: A operação das frequências (que englobam as faixas de 700 MHz, 850 MHz, 900 MHz, 1.800 MHz, 1.900/2.100 MHz e 2.500 MHz) deverá ocorrer em regime de coparticipação com as operadoras de telefonia móvel terrestre que já possuem a concessão desses canais no Brasil (como Claro, Vivo e Tim);

  • Camada de Cobertura Extra: O serviço D2D não chega para substituir as redes tradicionais, mas para atuar como um plano de contingência e cobertura em "pontos cegos", áreas rurais, florestas ou regiões isoladas que não recebem o sinal das antenas físicas das operadoras;

  • Prazo de Regulamentação: A Superintendência de Outorgas e Recursos à Prestação da Anatel recebeu um prazo de até 90 dias para detalhar todas as especificações e regras técnicas complementares do serviço;

  • Custo Zero no Lançamento: A expectativa do mercado de tecnologia é de que o recurso seja integrado aos planos móveis atuais sem cobrança de taxas adicionais em um primeiro momento, servindo como uma estratégia de validação técnica e educação dos consumidores.

Nos Estados Unidos, esse modelo de negócio já está consolidado através de uma parceria entre a Starlink e a operadora T-Mobile, servindo de espelho para o formato adotado pela Anatel no mercado brasileiro.

Impacto positivo para o interior e a área rural da região

A chegada da conectividade via satélite sem barreiras físicas apresenta um potencial de transformação gigantesco para o interior da Serra Gaúcha. Em áreas de relevo acidentado e vales profundos que caracterizam a geografia da Região Uva e Vinho, o sinal das operadoras tradicionais costuma apresentar instabilidades ou total ausência de rede, isolando produtores de hortifrutigranjeiros e agroindústrias.

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