
O Departamento Autónomo de Estradas de Rodagem (Daer) contestou formalmente as informações sobre a interrupção e o consequente adiamento das obras da nova ponte de Santa Bárbara, localizada na ERS-431, na divisa entre Santa Tereza e São Valentim do Sul. Em nota oficial, a autarquia estadual assegurou que as frentes de trabalho não foram paralisadas em decorrência da recente elevação do nível do Rio Taquari. O órgão cravou, ainda, que o cronograma original está mantido, com previsão de liberação do tráfego para este ano.
O posicionamento do Daer surge como uma resposta direta a relatos de que a elevação das águas no leito do rio teria suspendido a implantação dos pilares de sustentação e empurrado a conclusão do projeto para maio de 2027. O órgão rechaçou o cenário de lentidão e apresentou um balanço detalhado que demonstra a evolução física do canteiro de obras, rejeitando a tese de que apenas 25% do projeto estaria concluído.
De acordo com o relatório técnico atualizado do Daer, a estrutura que reconstrói a ligação regional — destruída pelas enchentes de setembro de 2023 — apresenta os seguintes índices de execução:
Encontros da ponte: 100% executados;
Estacas de fundação: 100% concluídas;
Blocos de fundação: 100% concluídos;
Pilares de sustentação: 86% finalizados;
Travessas de concreto: 72% concretadas.
A engenharia do Estado reforça que o andamento dos serviços é considerado consistente e que as flutuações habituais do leito do Rio Taquari já estão integradas ao planejamento de segurança das equipes, sem causar prejuízos ao prazo de entrega da travessia.
O conflito de informações ganhou força no último final de semana. Relatos locais indicavam que a Secretaria Estadual de Logística e Transportes e o Daer teriam sido forçados a reprogramar o término das atividades de outubro de 2026 para meados de 2027, sob a alegação de restrições no fluxo de recursos financeiros e demora na chegada de maquinários especializados para as perfurações subaquáticas.
Paralelamente ao andamento das obras físicas na estrutura de R$ 31,3 milhões, a rotina dos moradores e transportadores da Serra Gaúcha segue dependente do sistema rodoviário alternativo. Enquanto a ponte não é inaugurada, a travessia por balsa continua sendo o único meio de ligação direta em direção ao polo de Bento Gonçalves.
As oscilações do Rio Taquari, embora negadas pelo Daer como fator de paralisação da ponte, têm gerado impactos diretos no transporte flutuante. Nesta terça-feira, 30 de junho, a empresa de navegação Lacel, operadora do serviço de balsa, precisou reprogramar o início das viagens matinais para as 7h30 devido às condições de segurança da correnteza. As equipes que atuam na infraestrutura viária reiteram que monitoram o nível do rio, mas mantêm o ritmo de trabalho nas fundações e pilares remanescentes.