
O mercado imobiliário de Bento Gonçalves lançou 1.700 imóveis novos em 2025, o maior volume registrado nos últimos anos. É o que mostra a 28ª edição do Censo Imobiliário, levantamento que a ASCON Vinhedos realiza desde 1998 e que mede a oferta e a venda de imóveis novos na cidade.
Ao longo do ano, foram vendidas 1.048 unidades. Como os lançamentos superaram com folga as vendas, o estoque de imóveis à venda mais que dobrou: passou de 620 unidades em dezembro de 2024 para 1.272 em dezembro de 2025. Na prática, somando o que já existia com o que foi lançado, o mercado ofertou 2.320 imóveis durante o ano, vendeu pouco menos da metade e terminou 2025 com a oferta recomposta.
A ASCON lê esse movimento como reequilíbrio depois de um período de estoques baixos. "Os resultados de 2025 mostram uma retomada consistente da produção imobiliária", afirmou o coordenador do Censo, Rafael Panazzolo, segundo quem o setor "voltou a lançar empreendimentos em volume expressivo, sem perder o ritmo de comercialização".
Um dado chama a atenção sobre o comportamento do comprador: 80% das unidades vendidas ainda estavam na planta ou em construção. E a tendência deve continuar, porque 67% dos imóveis hoje em estoque estão na fase de lançamento — ou seja, a oferta é puxada por empreendimentos novos, e não por unidades encalhadas de ciclos anteriores.
O perfil do que se vende em Bento é dominado pelo apartamento. Das 1.272 unidades em oferta, 1.118 são residenciais (87,9%) e 154 são comerciais, como salas e lojas (12,1%). Entre as residenciais, os apartamentos respondem por quase 92%. O apartamento de dois dormitórios é o carro-chefe do mercado, com a maior fatia de lançamentos, ofertas e vendas no ano; sua área média é de 73,9 m².
Por bairro, o São Francisco concentra tanto o maior estoque quanto o maior número de vendas. Já a Cidade Alta registrou a maior velocidade de comercialização do município — vendeu proporcionalmente mais rápido do que lançou —, sinal de demanda aquecida naquela região.
O presidente da ASCON Vinhedos, Diogo Giacomello, associou os números à economia local. "A construção civil é um dos principais motores da economia local, gerando empregos, renda e desenvolvimento", afirmou. A entidade completa 30 anos em 2026.
O Censo 2025 é o primeiro a cobrir um ano civil completo (janeiro a dezembro), após a mudança de metodologia adotada na edição anterior. A pesquisa considera empreendimentos residenciais e comerciais aprovados pelo IPURB, com área superior a 500 m² e destinados à venda — obras industriais ficam de fora. Foram identificados 108 empreendimentos no município, dos quais 70 participaram, de 38 empresas, cobrindo 98% da área construída pesquisada.