Terça, 30 de Junho de 2026
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Publicidade do Governo Federal: Quem recebeu mais entre 2019 e 2025

Valores milionários ajudaram a manter grandes redes, mas Bigtechs começam a beliscar uma parte do bolo também.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
30/06/2026 às 12h17 Atualizada em 30/06/2026 às 15h31
Publicidade do Governo Federal: Quem recebeu mais entre 2019 e 2025

A distribuição de recursos de publicidade do Governo Federal passou por uma mudança clara nos últimos anos. As TVs abertas seguem entre os principais destinos da verba, mas as plataformas digitais ganharam espaço e passaram a disputar o topo com emissoras tradicionais.

Levantamento feito com dados do Sicom, sistema de comunicação do governo federal, mostra que a Globo liderou os repasses da Secom e dos ministérios em 2023, 202 liderou os repasses da Secom e dos minist4 e 2025. No ano passado, recebeu R$ 149,1 milhões. A Record ficou em segundo lugar, com R$ 80,5 milhões.

A novidade aparece logo depois. Em 2025, Google e Meta superaram SBT e Band entre as empresas que mais receberam recursos. O Google aparece com R$ 64,6 milhões, enquanto a Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, recebeu R$ 56,9 milhões. O SBT ficou em quinto, com R$ 45,8 milhões.

A mudança indica maior diversificação da estratégia de comunicação oficial. No governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, o ranking era dominado por Record, SBT, Globo e Band, com presença pontual de plataformas digitais. No atual governo Lula, as TVs seguem fortes, mas as big techs passaram a receber fatias maiores dos anúncios.

Segundo a Folha de S.Paulo, os canais digitais receberam ao menos R$ 234,8 milhões dos cerca de R$ 681 milhões distribuídos em anúncios pela Secom e ministérios em 2025. A internet ficou com 34,5% dos recursos, qua** registrados em 2022. 

A alta foi puxada principalmente por Google e Meta. A verba do Google subiu de R$ 10,5 milhões em 2023 para R$ 64,6 milhões em 2025. A Meta avançou de R$ 30,1 milhões no mesmo período. 

Outro levantamento, do Poder360, aponta que o gasto do governo Lula com publicidade nas principais empresas de tecnologia chegou a R$ 126 milhões em 2025, alta de 133% em relação a 2024. O dado reforça a aposta em anúncios digitais. 

A TV aberta, porém, não perdeu centralidade. De acordo com a Folha, o governo manteve cerca de 45% dos anúncios em emissoras de televisão. A diferença é que a internet passou a ocupar espaço antes concentrado em veículos tradicionais e mídia externa. 

A Secom afirma que o reforço nas plataformas digitais acompanha os novos hábitos da população na busca por informação. Segundo a secretaria, a estratégia busca ampliar o alcance de campanha e de ações do governo. 

O volume total também mostra expansão relevante em parte da série. Os recursos passaram de R$ 565,6 milhões em 2020 para R$ 853,8 milhões em 2021. Depois, ficaram em R$ 703,9 milhões em 2022, R$ 760,3 milhões em 2023 e R$ 786,8 milhões em 2024. Em 2025, o painel mostra R$ 681 milhões, mas a própria atualização do portal pode recentes subestimados. 

Há ainda uma limitação importante nos dados. Os valores não incluem publicidade de estatais e bancos públicos, como Petrobras, Banco do Brasil, Caixa e Correios, que divulgam númerocom menos detalhamento. 

O cenário revela uma comunicação federal mais espalhada. A televisão continua sendo usada para alcance massivo, enquanto Google, Meta, streaming e redes sociais ganham peso para segmentar públicos e aumentar a presença do governo na internet. A tendência deve seguir relevante em ano eleitoral, quando a visibilidade das ações federais ganha maior importância política.

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