
O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou nesta quarta-feira, 24, que deixou o cargo de líder do governo no Senado. A saída ocorreu após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada.
Wagner estava pressionado desde que foi alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura suspeitas de irregularidades ligadas ao Banco Master. O senador é investigado por suposto recebimento de vantagens indevidas, mas nega qualquer irregularidade.
Em publicação nas redes sociais, Wagner afirmou que a decisão foi tomada em “comum acordo” com Lula. O senador disse ainda que, neste momento, sua prioridade será provar inocência e se dedicar à campanha de reeleição do presidente, do governador Jerônimo Rodrigues e à própria disputa pelo Senado.
A investigação mira a relação entre Wagner e empresários ligados ao Banco Master, entre eles Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Segundo a Polícia Federal, há apuração sobre possível atuação política em favor de interesses do grupo financeiro.
Na semana passada, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador. A decisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, dentro de nova fase da Operação Compliance Zero.
A saída de Wagner representa desgaste político para o governo Lula no Senado. O parlamentar era um dos principais articuladores do Planalto no Congresso e aliado histórico do presidente.
O governo ainda não definiu oficialmente quem assumirá a liderança. Nos bastidores, os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE) aparecem entre os nomes cotados para a função.