
Uma operação complexa e ininterrupta do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul foi encerrada na madrugada desta sexta-feira (19) com a localização do corpo do trabalhador Carlos de Souza Rodrigues, de 55 anos. Ele foi vítima de um grave acidente de trabalho em uma unidade de armazenamento de grãos da cooperativa Cotrisoja, localizada no município de Tapera, na região do Alto Jacuí.
O soterramento ocorreu na tarde de quarta-feira (17), por volta das 14h30, quando a vítima acabou caindo no interior de um silo carregado com um grande volume de soja. Desde o chamado de emergência, as equipes de salvamento atuaram por cerca de 40 horas seguidas na tentativa de resgate. Os trabalhos contaram com o apoio técnico de funcionários da própria cooperativa e o isolamento de área feito pela Brigada Militar.
A varredura mobilizou o efetivo do Pelotão de Bombeiros de Tapera, especialistas do Grupo de Resposta a Desastres do 7º Batalhão de Bombeiro Militar (7º BBM) de Passo Fundo e integrantes da Força de Resposta Rápida (FRR). Durante o andamento da ocorrência, as equipes conseguiram encontrar a ferramenta que o operário utilizava no momento da queda, o que ajudou a delimitar o quadrante de buscas no armazém.
Especialistas da corporação explicam que acidentes em estruturas de armazenamento agrícola apresentam alto grau de perigo para os profissionais de resgate devido às características físicas do ambiente:
Efeito Fluido: Grandes massas de grãos, como a soja, comportam-se de maneira similar a um fluido, fazendo com que o corpo afunde em poucos segundos e impossibilitando a respiração;
Pressão Interna: O peso exercido pelos grãos gera uma forte compressão mecânica sobre o corpo da vítima, diminuindo drasticamente as chances de sobrevivência caso o socorro não seja imediato;
Risco de Novo Desabamento: Para retirar o trabalhador, os bombeiros precisaram esvaziar toneladas de grãos usando técnicas de ancoragem com vantagem mecânica, avançando de forma lenta para evitar novos deslizamentos internos de carga.
Por volta das 3h45 desta sexta-feira, o corpo foi finalmente acessado e removido do pavilhão industrial. O local passou por perícia técnica e os restos mortais de Carlos foram encaminhados aos órgãos competentes para os exames legais antes da liberação oficial para os atos fúnebres da família. As causas que provocaram a queda do funcionário no silo serão investigadas pelas autoridades policiais.