Segunda, 01 de Junho de 2026
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Área do transbordo vira ponto de comércio ilegal de cabos e foco de dengue

Cabos de internet e telefonia retirados com caminhão da prefeitura são comercializados sem nenhuma fiscalização no local.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
01/06/2026 às 16h42
Área do transbordo vira ponto de comércio ilegal de cabos e foco de dengue

O Transbordo de Bento Gonçalves voltou ao centro de denúncias ambientais após relatos da Associação Ativista Ecológica (AAECO) sobre acúmulo de pneus a céu aberto, descarte de cabos de telecomunicações e suspeita de comercialização irregular de materiais no entorno da área pública.

As denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público e também chegaram ao Comdema, que aprovou pedido de esclarecimentos à Secretaria Municipal de Meio Ambiente na reunião ordinária de 22 de maio.

Um dos pontos questionados envolve fios e cabos retirados de postes da cidade. Segundo o secretário-geral da AAECO, Gilnei Rigotto, grande parte do material não seria da rede elétrica, mas de empresas de telefonia, internet e fibra óptica.

“A questão não é só RGE. É das empresas de telefonia, da Vivo, da Claro, da Tim e de fibra óptica”, afirmou Rigotto.

A legislação municipal determina que empresas responsáveis por cabeamentos em postes façam a retirada, o alinhamento e a destinação dos fios inutilizados. Para a AAECO, ao recolher esse material sem responsabilizar as empresas, o poder público assume uma tarefa que deveria ser cobrada das concessionárias e operadoras.

A associação afirma ter registrado imagens de um caminhão ligado ao serviço público descarregando cabos no Transbordo de Bento Gonçalves. Ainda conforme a denúncia, no local também haveria pesagem de sacos com fios, o que levantou suspeita de comércio irregular.

“Nós filmamos um caminhão descarregando no transbordo, a céu aberto. Quanto à comercialização, havia uma caminhonete parada, tinha uma pessoa no local e eles estavam pesando na balança sacos com fios”, disse Rigotto.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que a Prefeitura recolhe cabos abandonados porque, na prática, muitos fios não possuem identificação. A pasta afirma que a medida busca reduzir poluição visual e prevenir acidentes.

Sobre a suspeita de venda irregular no local, a Prefeitura nega autorização para qualquer tipo de comercialização. “A informação não procede. Não há autorização para comercialização no local”, informou a secretaria.

Área do transbordo virou espaço ideal para reprodução do mosquito da dengue

 

Outro ponto da denúncia envolve o acúmulo de pneus no Transbordo. Imagens encaminhadas pela AAECO mostram pilhas de pneus em área aberta e também sob cobertura simples, sem fechamento lateral.

Para a associação, a forma de armazenamento pode favorecer o acúmulo de água e criar condições para proliferação do mosquito da dengue. O tema preocupa porque pneus expostos estão entre os recipientes mais associados à formação de criadouros do Aedes aegypti.

A Prefeitura afirma que o espaço funciona como ponto temporário de coleta e que adota medidas de controle e monitoramento para evitar acúmulo de água. A AAECO, porém, sustenta que as imagens mostram necessidade de fiscalização mais rigorosa.

O caso agora depende de análise documental e técnica. O Comdema deve cobrar explicações formais da Secretaria de Meio Ambiente sobre o recolhimento dos cabos, a destinação do material, o armazenamento dos pneus e os controles adotados para evitar risco ambiental e sanitário.

Para os ambientalistas, a discussão não envolve apenas limpeza urbana. O que está em jogo é a rastreabilidade dos resíduos, a responsabilidade das empresas privadas, a fiscalização da legislação municipal e a segurança ambiental no entorno do Transbordo de Bento Gonçalves.

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