
O cenário eleitoral para a disputa pelo Palácio Piratini ganhou contornos oficiais neste sábado (30). Diante de uma militância expressiva que lotou uma casa de eventos localizada na Zona Norte de Porto Alegre, o vice-governador Gabriel Souza (MDB) lançou formalmente a sua pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Sul.
O ato político foi marcado por uma forte demonstração de unidade da base governista, contando com a presença destacada do governador Eduardo Leite e do governador de Goiás e pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado. A tática central da campanha foi resumida no lançamento do slogan oficial de Gabriel: "100% RS", com o objetivo de blindar o debate estadual das nacionalizações partidárias.
Durante seu pronunciamento de 24 minutos, Gabriel Souza subiu o tom contra os principais concorrentes na corrida ao governo gaúcho, citando nominalmente o deputado Luciano Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT). O emedebista ironizou as amarrações federais dos oponentes e alfinetou a aliança firmada entre o PDT e o PT, classificando-a como um "casamento forçado".
Gabriel também criticou o que chamou de recusa dos adversários em participar de debates públicos e rebateu uma suposta fala de Zucco de que a administração pública poderia ser delegada:
— Quem quer ser governador do Rio Grande do Sul não pode ter medo de debate. O pior lugar do mundo para aprender a governar é na cadeira do governante — disparou o pré-candidato.
Fazendo uma retrospectiva das três últimas gestões estaduais, o vice-governador defendeu o legado de superação da crise fiscal e as reformas estruturais aprovadas no parlamento. "Hoje o Rio Grande está muito melhor. Quem não admite isso, não reconhece os avanços e coloca tudo em risco", complementou.
O evento expôs movimentos importantes de bastidores na política gaúcha. O palco foi compartilhado com os dois nomes indicados para disputar as vagas ao Senado na composição governista: o deputado estadual Frederico Antunes (PSD) e o ex-governador Germano Rigotto (MDB). Lideranças expressivas do MDB e partidos aliados, como os ex-governadores José Ivo Sartori e Ranolfo Vieira Junior, além do prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, também marcaram presença.
Um dos pontos mais comentados nos corredores foi a presença discreta de dissidentes do Progressistas (PP) e do União Brasil — partidos que, institucionalmente, compõem a federação de apoio à candidatura de Zucco. Estima-se que cerca de 50 prefeitos dessas siglas compareceram ao ato em Porto Alegre para declarar apoio informal à postulação de Gabriel Souza.
O encerramento do encontro político ficou sob a responsabilidade de Ronaldo Caiado. Em um discurso focado no combate à criminalidade, o pré-candidato do PSD à Presidência atacou duramente as diretrizes do governo federal e usou seus dois mandatos no governo de Goiás como principal vitrine eleitoral.
— Bandido não se cria onde Caiado governa. Goiás é o Estado mais seguro do Brasil. Quando Caiado chegar ao governo, ou bandido muda de profissão ou muda de país. Se vocês têm esperança de tirar esse Brasil da corrupção e da criminalidade, me deem essa oportunidade — concluiu o político goiano, sob aplausos dos militantes.