
O governo do Estado do Rio Grande do Sul iniciou uma ampla mobilização preventiva para enfrentar os impactos climáticos de um novo El Niño. Diante de prognósticos que apontam para um fenômeno com intensidade semelhante às marcas históricas registradas nos anos de 2015 e 2016, o governador Eduardo Leite acionou a Defesa Civil Estadual para atualizar os mapas de risco e estruturar ações imediatas de contingência e salvamento.
Meteorologistas emitiram alertas indicando que os efeitos mais severos do fenômeno devem castigar o território gaúcho a partir da primavera. O monitoramento oficial já listou 60 municípios em situação de vulnerabilidade máxima, sendo que 16 deles pertencem às bacias dos Vales do Sinos, Paranhana e Caí — regiões historicamente castigadas por cheias. Cidades populosas como Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Porto Alegre estão no topo do alerta. Segundo a meteorologista Cátia Valente, o aquecimento simultâneo do Oceano Atlântico potencializa a formação de frentes frias e ciclones extratropicais.
O Executivo estadual dará início a uma rodada de reuniões técnicas e seminários regionais nas próximas semanas para alinhar os planos de evacuação e abrigamento diretamente com as prefeituras. Eduardo Leite destacou que o Estado conta hoje com maiores investimentos em equipamentos e monitoramento na Defesa Civil do que no passado, mas reforçou que o sucesso do plano depende do engajamento dos prefeitos na ponta. Como parte da estratégia de conscientização, a capital gaúcha sediará o fórum "O RS diante de um novo alerta climático" no dia 2 de junho, visando integrar lideranças e acelerar as obras preventivas nas calhas dos rios.