
As marcas das chuvas históricas de maio de 2024 ainda são uma ferida aberta no bairro Piratini, em Gramado. Duas ruas da localidade permanecem destruídas e completamente bloqueadas após um complexo escorregamento de terra que mudou a geografia da região e a rotina de mais de 30 famílias. Para moradores como a aposentada Palmira Machado, de 85 anos, o cenário atual de desolação contrasta com as memórias de um bairro outrora vibrante e de fácil acesso ao centro da cidade.
Após um longo período de monitoramento geológico e elaboração de projetos, a Prefeitura de Gramado anunciou que o processo licitatório para a reconstrução será publicado ainda neste mês de maio. O investimento previsto supera os R$ 43 milhões e engloba obras complexas de contenção de encostas, nova pavimentação e iluminação pública. A expectativa é que as máquinas comecem a trabalhar em junho, trazendo esperança para quem, como a empreendedora Cleusa Machado, enfrenta dificuldades diárias e riscos de quedas ao tentar circular pelo que restou das vias.
A recuperação da área exigiu a desapropriação de 35 lotes para garantir a segurança das futuras intervenções:
Acordos: 34 proprietários aceitaram os termos da prefeitura, enquanto um segue em disputa judicial.
Pagamentos: Até o momento, R$ 8,3 milhões foram pagos a 25 famílias. Outras nove aguardam a regularização de documentos para receber os valores.
Justificativa da Demora: A administração municipal defende que o primeiro ano após o desastre foi essencial para monitorar a estabilidade do solo antes de qualquer intervenção estrutural definitiva.
Apesar do anúncio dos investimentos, o sentimento entre os residentes ainda é de cansaço e frustração pela falta de comunicação direta durante o processo. Para muitos, a normalidade só retornará quando o som das máquinas substituir o silêncio das ruas sem saída.