
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define, nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, o novo patamar da taxa básica de juros do Brasil. A expectativa majoritária entre analistas e instituições financeiras é de um leve corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic de 14,75% para 14,5% ao ano. Apesar da tendência de queda, o cenário é de extrema cautela devido ao prolongamento das tensões militares entre Estados Unidos, Israel e Irã, que mantém o risco inflacionário no radar global.
O principal fator de pressão para a manutenção dos juros elevados é o gargalo logístico no Estreito de Ormuz. O tráfego prejudicado de embarcações e danos em refinarias acenderam o alerta para a alta nos preços de combustíveis e fertilizantes, itens que impactam diretamente o custo de fretes e alimentos. No Brasil, o reflexo já é sentido nas projeções do Boletim Focus, que elevou a estimativa do IPCA de 2026 de 4,10% para 4,86%, superando o teto da meta de 4,5%.
Por outro lado, indicadores recentes trazem algum alento ao Banco Central. O IPCA-15 de abril registrou alta de 0,89%, vindo abaixo do esperado pelo mercado, e o dólar apresenta descompressão, operando abaixo da casa dos R$ 5,00. Essa valorização do real frente à moeda americana ajuda a amortecer os preços de itens importados, oferecendo ao Copom uma margem para seguir com o ciclo de cortes, ainda que em ritmo reduzido para aliviar o endividamento e a inadimplência das famílias e empresas.
Além do número final da taxa, investidores aguardam com ansiedade o comunicado oficial do comitê. O documento deve sinalizar se o Banco Central manterá o compromisso com novos cortes nos próximos encontros ou se adotará uma postura de espera até que o cenário geopolítico no Oriente Médio apresente maior estabilidade. Uma sinalização mais rígida ("hawkish") pode indicar que, caso a inflação continue pressionada pela guerra, a Selic poderá permanecer em patamares restritivos por mais tempo do que o previsto originalmente.