
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe) de 2024, divulgada recentemente pelo IBGE, traçou um panorama preocupante sobre o bem-estar psicológico dos jovens brasileiros. O levantamento, que ouviu cerca de 120 mil estudantes de 13 a 17 anos em todo o país, revelou que 28,9% dos adolescentes enfrentam sentimentos de tristeza de forma persistente. O estudo evidencia uma disparidade alarmante de gênero: enquanto 16,7% dos meninos relatam esse estado, o índice dispara para 41% entre as meninas.
No recorte regional, o Norte do país lidera o ranking de tristeza (30,1%), seguido de perto pelas regiões Sul e Sudeste. No Rio Grande do Sul, o índice geral é de 27,3%, mas a capital, Porto Alegre, apresenta um cenário mais severo, com 29% dos jovens relatando sofrimento emocional constante. A diferença entre os sexos no estado segue a tendência nacional, com as meninas gaúchas apresentando um índice de tristeza de 40,1% frente a 13,8% dos meninos.
Os dados tornam-se ainda mais críticos quando abordam a ideação suicida e a autolesão:
Vontade de morrer: 18,5% dos estudantes brasileiros relataram ter perdido a vontade de viver. Entre as meninas, esse número chega a 25%.
Rio Grande do Sul: 15,1% dos alunos gaúchos manifestaram essa sensação (19,4% entre meninas e 10,6% entre meninos).
Autolesão: Um dado alarmante aponta que 32% dos estudantes gaúchos sentiram vontade de se machucar intencionalmente nos últimos 12 meses.
A professora Joice Dickel Segabinazi, da PUCRS, explica que a vulnerabilidade acentuada das meninas costuma estar atrelada a pressões sociais, padrões estéticos e maiores cobranças comportamentais, fatores já mapeados pela literatura acadêmica.
O objetivo central da PeNSe é fornecer subsídios para que governos e escolas desenvolvam estratégias de acolhimento e prevenção. Especialistas reforçam que a escola deve ser um ambiente de proteção e que a identificação precoce desses sinais é fundamental para evitar o agravamento dos quadros clínicos de depressão e ansiedade na adolescência.