
Um impasse que se arrasta desde a reforma da Galeria Central, na Rua Cândido Costa, esquina com a Marechal Deodoro, tem gerado indignação entre taxistas e usuários do transporte individual em Bento Gonçalves.
O abrigo que protegia passageiros e motoristas foi retirado sob a promessa de ser temporário, mas nunca retornou ao local. Enquanto a prefeitura alega a existência de um suposto abaixo-assinado de lojistas contra a estrutura, os próprios comerciantes da área negam qualquer oposição, expondo o que a categoria chama de descaso do poder público.
Maria Alice Basso da Silva, proprietária de táxi e representante do ponto, relata que a retirada do abrigo comprometeu a dignidade do atendimento, especialmente para os mais vulneráveis. "Quando chega um passageiro aqui, pessoa de idade ou alguma deficiência, não tem nenhum lugar para sentar para aguardar", desabafa a motorista.
Segundo ela, a estrutura "sumiu" e as tentativas de contato com o prefeito e secretário não trazem retorno efetivo. Além do desconforto, a falta de identificação visual clara do ponto tem gerado conflitos. Sem o abrigo, outros motoristas frequentemente desrespeitam a sinalização, estacionando carros particulares nas seis vagas destinadas aos táxis. "Eles dizem que aqui não é táxi. Se tivesse um abrigo, nos respeitariam", afirma Maria Alice.
A justificativa da prefeitura de que o abrigo prejudicaria a fachada e o movimento das lojas cai por terra ao ouvir quem trabalha no entorno. Eleonora Dallavalle Paini, gerente da loja OrangoTango, é enfática ao dizer que o estabelecimento não possui qualquer obstrução à recolocação. "Que eu saiba, não teve movimento de lojistas. Aqui na OrangoTango não temos obstrução para recolocação", relata a gerente.
No mesmo sentido, Wesley Ogrodoski, proprietário da Lala Barber, que abriu seu negócio há seis meses, afirma desconhecer qualquer movimento contra o abrigo. "Para mim, na verdade, não incomoda. Quanto mais movimento, melhor. Na nossa loja não interfere em nada", garante o comerciante.
A reportagem do NB Notícias procurou a Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves para prestar esclarecimentos sobre a ausência do abrigo e o cronograma para sua recolocação, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve retorno do poder público.
Caminhos para solução
O "embróglio" do abrigo da Cândido Costa parece ser fruto de falta de diálogo e transparência por parte da administração municipal. Para resolver a situação, o poder público poderia adotar as seguintes medidas:
• Transparência Técnica: Apresentar o suposto abaixo-assinado ou admitir a inexistência do documento, alinhando a comunicação com a realidade dos lojistas.
• Projeto Moderno: Caso a preocupação seja estética, a prefeitura pode instalar um abrigo com design moderno e translúcido, que não obstrua a visão das vitrines, garantindo o conforto do passageiro sem interferir na fachada comercial.
• Reforço na Fiscalização: A reinstalação da "casinha" serviria como um marco visual, coibindo o estacionamento irregular de veículos particulares e garantindo o direito dos taxistas que pagam seus alvarás para atuar no local.
A permanência do descaso em frente à própria sede da prefeitura é um símbolo negativo para a mobilidade urbana de Bento Gonçalves, punindo quem mais precisa de acessibilidade e conforto no transporte público municipal