
O governador Eduardo Leite cumpriu uma série de agendas em Brasília, nesta quarta-feira (08), com o objetivo de avançar na pauta de auxílio ao setor agropecuário gaúcho. O foco principal da comitiva é o Projeto de Lei 5.122, que propõe autorizar o uso de recursos do fundo social do pré-sal para o refinanciamento de dívidas de produtores rurais que tiveram suas atividades prejudicadas por calamidades naturais.
Durante a passagem pela capital federal, Leite reuniu-se com a senadora Tereza Cristina, com o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e com o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Em suas redes sociais, o governador reforçou que a pressão política continuará para garantir a securitização das dívidas, medida considerada vital para a sobrevivência econômica de milhares de famílias que dependem do campo no Rio Grande do Sul.
O cenário de crise no setor é agravado pelo histórico climático recente: nos últimos seis anos, o Estado enfrentou quatro estiagens severas, além das enchentes históricas registradas em 2023 e 2024. Dados da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) indicam que, entre 2020 e 2025, o Rio Grande do Sul deixou de colher 48,6 milhões de toneladas de grãos, gerando uma perda de faturamento superior a R$ 126 bilhões — montante que equivale a mais da metade do PIB anual gaúcho.
Além das perdas nas lavouras, a produção leiteira registrou queda de até 34% em função do calor extremo. Enquanto o governo busca soluções para o endividamento, analistas apontam a transição para energia limpa e o aumento nas exportações de frango, registrado em março, como janelas de oportunidade para a recuperação do setor a longo prazo. As negociações em Brasília devem seguir nos próximos dias para tentar viabilizar a aprovação do projeto de lei.