
O problema crônico da poluição visual e do perigo dos fios caídos e emaranhados nos postes de Bento Gonçalves começou a ganhar um plano de ação prático. Em audiência realizada no dia 9 de março de 2026, a Promotoria de Justiça Especializada do Município reuniu representantes da prefeitura, da concessionária RGE Sul e de diversas empresas de telefonia e internet para debater soluções definitivas para a fiação ociosa e irregular.
O encontro foi conduzido pela promotora Carmem Lucia Garcia, que destacou os riscos de acidentes com cabos fora dos padrões de altura. Durante a reunião, o Poder Público municipal expôs que recebe reclamações diárias sobre fios rompidos e que o acúmulo de cabos abandonados após a substituição de postes tem gerado grandes transtornos para a cidade. Por sua vez, as operadoras de telecomunicações alegaram que enfrentam dificuldades porque a RGE e suas empresas terceirizadas muitas vezes não comunicam previamente as trocas de postes, resultando em cabos enrolados, danificados e inutilizados. Já a RGE defendeu-se afirmando que não possui autorização legal da ANEEL/ANATEL para remover cabos de terceiros.
Após os debates sobre a responsabilidade do material, o Ministério Público e as partes chegaram a um acordo com seis deliberações práticas para limpar o visual da cidade:
Mutirão de Limpeza: A primeira ação conjunta ocorrerá no dia 30 de março de 2026, com início às 9h30min, na Avenida Costa e Silva.
Aviso Prévio (WhatsApp): Será criado um grupo restrito no WhatsApp, administrado pela RGE, para notificar as operadoras e o município sobre os desligamentos e manutenções programadas.
Responsabilidade e Remoção: Cada empresa será responsável por identificar e remover seus próprios cabos obsoletos ou irregulares. A promotora alertou que os cabos sem identificação poderão ser removidos sumariamente durante as ações caso as empresas não façam a verificação.
Destinação Ecológica: O Ministério Público acionará o Centro de Apoio do Meio Ambiente para buscar um local de descarte adequado para as toneladas de fios que a prefeitura já recolheu das ruas.
Convocação Geral: O Município divulgará a ação em seus canais oficiais para convocar empresas que não compareceram à audiência.
Ação Civil Pública: Uma nova reunião de avaliação foi marcada para abril. Se o mutirão do dia 30 de março não surtir o efeito desejado na organização da infraestrutura, o Ministério Público não descarta ajuizar uma Ação Civil Pública contra as empresas responsáveis.