
O fim da Ditadura Militar, em 1984, inspirou projetos que buscaram democratizar o ensino. Em 1987, a Secretaria de Obras Públicas (SOP) desenvolveu o Nova Escola. Os técnicos, com base nas diretrizes pedagógicas definidas pela Secretaria da Educação (Seduc), buscaram criar um modelo arquitetônico que fosse acolhedor e integrasse estudantes, professores e comunidade.
“Existiu um antes e um depois da Nova Escola. O projeto rompeu com os paradigmas de construção e as tipologias de uma escola pública. A edificação parecia uma escola privada. Era a ideia de que povo também merece coisa boa”, afirma o arquiteto e urbanista Odir Baccarin, que participou do desenvolvimento do projeto enquanto era servidor da SOP.
Projeto considerou as especificidades de cada região
As escolas daquela época eram caracterizadas pelos tijolos à vista e pelo amplo espaço comum de circulação na parte interna, que permitia a integração entre alunos e a sua utilização para atividades quando não fosse possível acessar o pátio externo.
Com o apoio dos escritórios regionais da SOP, levantou-se as especificidades de cada parte do Estado para saber quais necessidades o projeto precisava suprir. O modelo final abarcava todas as demandas apresentadas. Ou seja, ainda que em determinado local uma solução não fosse exigida, ela era mantida no desenho geral.
Pelo mesmo motivo, os materiais utilizados nas construções precisavam estar disponíveis em todas as regiões, para que os prédios mantivessem o padrão e qualidade. “Foi um projeto pensado para o Rio Grande do Sul, com a nossa cara, o nosso jeito de viver”, recorda Baccarin.
Construção modular e replicável
A construção era modular: pensando no baixo custo de implementação e manutenção, foram desenvolvidos blocos replicáveis para cada área, como biblioteca, salas de aula, laboratórios ou cozinhas. A partir das necessidades específicas de uma escola, os módulos poderiam ser instalados de diferentes formas.
Com os módulos padronizados, que podiam ser encaixados de diferentes formas, tornou-se mais rápido o desenho e a construção dos prédios escolares. A solução também permitia ter maior controle sobre o valor investido na obra.
Foram construídos cerca de 350 prédios no modelo Nova Escola, como o Colégio Estadual (CE) Professora Edna May Cardoso, em Santa Maria, o CE Visconde de Bom Retiro, em Bento Gonçalves, e a Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEF) João Carlini, em Ajuricaba.
Em geral, as novas edificações substituíram antigas estruturas, como as brizoletas, feitas em madeira e que se encontravam em mau estado de conservação. Além disso, adequavam as escolas ao tamanho que precisavam ter após o aumento do número de alunos e da mudança da realidade das comunidades. A construção modular era vantajosa também para essas situações: se fosse necessário ampliar o prédio, era possível adicionar novos blocos.
No mesmo período, um modelo reduzido do Nova Escola foi criado para atender especificamente as comunidades rurais, contando com tamanho menor e somente um pavimento, em vez de dois. Foram implementados cerca de 40 prédios, nesse formato.
Cieps
Em 1991, com inspiração no modelo desenvolvido pelo governo do Rio de Janeiro, comandado à época pelo ex-secretário da SOP, Leonel Brizola, nasceram na secretaria os Centros Integrados de Escola Pública (Cieps), com projeto do então secretário de Obras Públicas, o arquiteto Jorge Debiagi. As escolas tinham turno integral e serviram de base para os Centros Integrais de Atendimento à Criança e ao Adolescente (Ciacs), que buscavam concentrar, em um único ambiente, iniciativas sociais destinadas a bairros carentes. A ideia era democratizar o ensino, aliando-o a estruturas de saúde e de cultura.
Pouco depois, o nome passou a ser Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic). A mudança foi além da inversão de duas letras na sigla: as áreas das escolas ficaram menores e o número de instituições a serem construídas diminuiu, mas o programa de necessidades continuou o mesmo. Os prédios também seguiam um padrão e eram pré-fabricados em argamassa armada, o que facilitava a produção industrial das estruturas.
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Investimentos atuais
A arquitetura dos prédios escolares não está dissociada dos planos e projetos voltados à educação em cada época. Sua evolução acompanha as ideias que se sucederam ao longo dos anos.
Seja qual for o modelo, é necessário que as estruturas se mantenham qualificadas, o que não foi a realidade do Rio Grande do Sul por muitos anos. Agora, o Estado está diferente.
Com a recuperação da capacidade de investimento promovida pelo governo Eduardo Leite, necessidades históricas estão sendo sanadas. Atualmente, há em andamento obras de melhoria da infraestrutura em 263 escolas estaduais, totalizando R$ 401,6 milhões. Além disso, só em 2025 foram concluídas manutenções em 179 escolas, às quais foram destinados R$ 102,1 milhões. Desde o início da atual gestão, são R$ 712 milhões para obras finalizadas, em execução, por iniciar ou em fase de contratação.
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Texto: Ariel Engster/Ascom SOP
Edição: Secom