
O caso do brutal assassinato do advogado Roberto Fortunato Dall'Agnol, ocorrido em setembro de 2021, sofreu uma nova e contundente reviravolta na Justiça de Bento Gonçalves. O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) ofereceu denúncia contra um novo suspeito, identificado pelas iniciais G.F.L. (nome está sendo preservado porque não houve a prisão do acusado), apontado como peça-chave no planejamento e na logística da execução da vítima. O promotor de Justiça Damásio Sobiesiak também está travando uma batalha no Tribunal de Justiça do Estado (TJRS) para garantir a prisão dos envolvidos.
De acordo com a denúncia do MPRS, G.F.L. atuou em plena comunhão de esforços com a ex-companheira da vítima, Ana Paula Fleck Borba, e com os executores confessos do crime, Miguel Marcelo Costa Xavier e William Petry Bittencourt, já condenados pela justiça. O documento detalha que G.F.L. teve participação decisiva ao intermediar os contatos e apresentar os atiradores a Ana Paula.
A denúncia revela os passos da arquitetura criminosa. O novo acusado viajou com Ana Paula para a região metropolitana de Porto Alegre, onde realizaram uma reunião com os executores na casa de um "pai de santo". Foi nessa ocasião que lhes foi fornecida a "tag" de acesso ao portão da residência do advogado para facilitar a invasão.
Segundo a Promotoria, o envolvimento de G.F.L. continuou até os momentos finais antes do homicídio. Na noite do crime, ele recebeu os assassinos Miguel e William em sua própria residência. Os criminosos permaneceram no local, considerado um "porto seguro", desde a meia-noite até a hora da execução. De lá, partiram após G.F.L. fornecer as indicações precisas sobre a localização do imóvel da vítima.
O promotor Damásio Sobiesiak solicitou à Justiça a decretação da prisão preventiva tanto de Ana Paula Fleck Borba quanto de G.F.L., argumentando a necessidade de garantia da ordem pública e a conveniência da instrução criminal diante da gravidade e da manipulação de provas. No entanto, o Poder Judiciário concedeu inicialmente apenas o mandado de prisão contra Ana Paula — que chegou a ser considerada foragida. Diante da negativa da Justiça em decretar a prisão de G.F.L., o representante do Ministério Público recorreu da decisão no Tribunal de Justiça, buscando a detenção imediata do novo suspeito.
Em mais um desdobramento polêmico, o promotor também já recorreu da decisão judicial que concedeu liberdade a Ana Paula Fleck Borba na última semana, na tentativa de recolocá-la atrás das grades enquanto o processo segue seu trâmite legal.
Roberto Fortunato Dall'Agnol foi morto na madrugada de 11 de setembro de 2021. O crime, que inicialmente foi simulado para parecer um latrocínio (roubo seguido de morte), foi desmascarado após a descoberta de uma videochamada onde Ana Paula e o atirador discutem os bastidores do assassinato. A vítima foi rendida em casa, teve mãos e pés amarrados, sofreu estrangulamento com um lacre plástico e foi executada com um tiro na nuca, sem qualquer chance de defesa.