
Criado com a promessa de dar ainda mais agilidade aos pagamentos presenciais, o Pix por aproximação completa um ano de operação neste sábado (28) com o grande desafio de conquistar o hábito do consumidor brasileiro. Dados recentes divulgados pelo Banco Central (BC) revelam que a modalidade representou apenas 0,01% do total de transferências do sistema em janeiro, evidenciando uma adesão ainda muito incipiente.
Os números absolutos ilustram o tamanho do desafio. Dos 6,33 bilhões de transações via Pix registradas no mês passado, pouco mais de 1 milhão (1,057 milhão) ocorreram mediante a aproximação do celular nas maquininhas de cartão. O impacto financeiro é igualmente modesto: a categoria movimentou R$ 568,73 milhões, o que equivale a 0,02% dos R$ 2,69 trilhões transacionados globalmente no sistema em janeiro.
A lentidão na adoção em massa pode ser explicada pelas barreiras técnicas e preventivas. Para inibir a ação de criminosos, o Banco Central estabeleceu um limite padrão de R$ 500 por transação para pagamentos via Google Pay (carteira digital presente em mais de 80% dos celulares no Brasil). Embora os correntistas possam ajustar esses valores diretamente nos aplicativos de seus bancos, a trava inicial exige adaptação do usuário.
Apesar da fatia microscópica no bolo total, a curva de adoção aponta para o alto. Em julho do ano passado, a modalidade registrava apenas 35,3 mil transações. Em novembro, superou a marca de 1 milhão.
Para Gustavo Lino, diretor executivo da Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamento (Init), o cenário deve mudar à medida que a oferta amadurecer. “O potencial é grande, sobretudo no ambiente corporativo, mantendo a confiança como fundamento”, afirma. A expectativa é que o Pix por aproximação se consolide como a principal alternativa para reduzir o tempo de espera em pontos de venda com alto fluxo de clientes.
O diferencial do Pix por aproximação é a exclusão de etapas: em vez de abrir o aplicativo bancário, escanear um QR Code e digitar a senha, o usuário precisa apenas ativar a tecnologia NFC do smartphone, abrir a carteira digital e encostar o aparelho na maquininha.
O Banco Central, no entanto, faz um alerta ao consumidor. Diversas instituições financeiras utilizam a aproximação para oferecer o "Pix no Crédito". O pagador deve estar atento na hora de selecionar a origem do dinheiro na carteira digital, pois o uso do limite do cartão de crédito para a transação via Pix incorre na cobrança imediata de juros.