
Moradores do bairro Pomarosa, em Bento Gonçalves, estão enfrentando um impasse com o fornecimento de água que vai muito além do que sai das torneiras: o problema está no papel. Relatos crescentes apontam que a Corsan não estaria realizando a leitura mensal dos hidrômetros em diversas residências, optando por emitir faturas baseadas em médias de consumo. O resultado é um cenário de incerteza financeira para as famílias, que temem uma disparidade abrupta de valores quando a leitura real for finalmente efetuada.
A principal queixa da comunidade é a ausência física dos leituristas nas ruas. Moradores afirmam que os funcionários da companhia sequer estariam passando pelos registros para conferir o consumo.
O caso ganha contornos de descaso com o relato de que, em vez de as faturas serem entregues nas caixas de correio das residências após a medição, maços inteiros de contas de água estariam sendo, simplesmente, deixados em um mercado local do bairro Pomarosa.
​"A maior reclamação é que não está sendo feita a leitura e só colocando o valor final." > — Rogério Garcia da Silva, morador do bairro.
A justificativa padrão utilizada pela Corsan para a cobrança por média é a "dificuldade de acesso" ao medidor. No entanto, essa explicação não convence quem vive a realidade do bairro. Rogério contesta veementemente a eficiência do serviço prestado e aponta falha operacional.
A preocupação imediata dos moradores é o impacto financeiro. Como a leitura não foi feita neste ciclo, o faturamento do mês seguinte pode acumular o consumo real de 60 dias, gerando um valor exorbitante de uma só vez. "Se eles não têm pessoal para fazer, o que a gente pode fazer? Pagar duas vezes a mesma conta de água todo mês?", questiona Rogério.
Procurada para esclarecer a situação, a assessoria da Corsan apresentou sua defesa técnica:
Aumento na tarifa: Além da confusão nas leituras, a Corsan lembrou que a conta de água já está mais cara. Desde 1º de janeiro de 2026, está em vigor um reajuste tarifário anual de 4,68% para Bento Gonçalves, calculado com base na variação da inflação.
É conveniente para a Corsan amparar-se em normas regulatórias que permitem a cobrança pela média, mas torna-se inaceitável que essa ferramenta de exceção vire o "plano A" por suposta falta de pessoal ou má organização das rotas de leitura.
Quando um morador comprova que seu medidor está exposto na calçada e que as contas foram deixadas em um estabelecimento comercial de terceiros, a justificativa de "imóvel fechado" ou "presença de animais" cai por terra, revelando uma grave falha na prestação do serviço público.
Somar a falta de leitura precisa a um recente reajuste tarifário de 4,68% é punir o cidadão duas vezes: primeiro pela inflação, segundo pela desorganização da companhia. O consumidor não pode se tornar o "fiador" das falhas operacionais da Corsan, sendo obrigado a viver com o fantasma de sustos no orçamento familiar no fim do mês.