Quinta, 19 de Fevereiro de 2026
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Construção civil lidera índices de acidentes de trabalho

Aumento de acidentes na construção civil em São Paulo evidencia falhas no cumprimento das normas de segurança.

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
19/02/2026 às 18h47
Construção civil lidera índices de acidentes de trabalho
Freepik

No primeiro trimestre de 2025, foi registrado um aumento de 13,9% nos acidentes de trabalho em atividades de construção civil no estado de São Paulo, em comparação com o mesmo período de 2024, de acordo com o G1. No ano passado, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, registrou 1.390 casos no setor. Apenas no primeiro semestre de 2025, foram 1.689 mortes registradas, considerando os diferentes setores. O setor da construção civil é um dos mais afetados. 

O frequente descumprimento das normas de segurança previstas tem sido um dos grandes causadores desse aumento. Pedro Tourinho, presidente da Fundacentro, a Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho, afirmou que "a adoção e o seguimento rigoroso das normas regulamentadoras ainda não é realizada na plenitude por todos os empregadores, exatamente por isso que nós precisamos de uma estrutura de fiscalização robusta e que articule diversos setores do Estado para que essa fiscalização possa acontecer".

André Abreu, engenheiro civil da Bristol, afirma que "os números apontam para uma negligência por parte das empresas quanto à segurança do trabalho. Há uma tendência a optar por aquilo que é menos custoso, apesar de que, ao ocorrer um acidente, as despesas são consideravelmente maiores do que o valor que seria gasto nas medidas preventivas".

As empresas que não cumprem as Normas Regulamentadoras – um conjunto de regras estabelecidas pelo Ministério do Trabalho que definem obrigações, direitos e deveres relacionados à saúde e à segurança no ambiente de trabalho – estão sujeitas a diversas penalidades. As principais sanções incluem multas administrativas cujo valor depende da gravidade da infração, do número de empregados afetados e de reincidência, e embargos ou interdições de atividades quando há risco grave e iminente aos trabalhadores. Além disso, a empresa pode enfrentar responsabilidade civil (indenizações por acidentes ou doenças), responsabilidade trabalhista (ações judiciais por danos, adicionais de insalubridade/periculosidade etc.) e até responsabilidade criminal nos casos mais graves, como acidentes com lesões graves ou morte causados por negligência. Há ainda os impactos à reputação da empresa no mercado.

Tourinho esclarece que, além dos prejuízos diretos às famílias, tal fato impacta também a economia. "Tem um imenso impacto econômico, que vai desde a queda da produtividade geral da população até o impacto presidenciário, que é muito significativo. Os dias de afastamento, as pessoas que são aposentadas por conta de lesões, de acidentes, de sequelas. Então tem uma gama ampla de impacto, da ordem de muitos bilhões de reais, e eu não tenho dúvida, faz com que esse tema seja do interesse geral da sociedade. É um aspecto que nunca cessa de ter um problema".

Por sua vez, Abreu explica que "atualmente, muitos maquinários já são pensados para contribuir para a segurança do trabalho. A substituição da escavação manual por perfuratrizes proporciona uma perfuração mais eficaz e reduz o esforço humano em atividades de risco. Isso, no entanto, gera melhores condições de trabalho e evita a fadiga dos trabalhadores, prevenindo acidentes. Ademais, boa parte dos aparelhos mais modernos possui tecnologia de segurança embutida, como desligamento automático e outros".

Quanto à prevenção, Abreu afirma que "a importância das inspeções cotidianas consiste na identificação de desgastes, falhas e sinais de mau funcionamento antes que se tornem riscos reais. Verificando o maquinário de forma sistemática, as chances de acidentes e paradas inesperadas são reduzidas".

Diante dos dados apresentados, o aumento do número de acidentes de trabalho reforça a necessidade de maior rigor no cumprimento das normas de segurança e no fortalecimento da fiscalização. A adoção de medidas preventivas, o uso adequado de tecnologias e a realização de inspeções regulares mostram-se fundamentais para reduzir riscos e evitar perdas humanas e econômicas, como alegam os especialistas. 

Para mais informações, basta acessar: https://www.bristol.ind.br/

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