
Depois do forte impacto provocado pelas enchentes de 2024, o enoturismo na Serra Gaúcha volta a ganhar tração e se consolida como um dos vetores mais relevantes da retomada econômica regional. Dados apresentados pela Wine Locals revelam que, em 2025, o número de experiências vendidas no Rio Grande do Sul cresceu 57,8% em relação ao ano anterior, superando inclusive os níveis registrados antes da catástrofe climática.
O levantamento foi divulgado na sexta-feira (23), durante evento no Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves, reunindo autoridades, operadores de turismo e representantes do setor produtivo. Os números confirmam que o segmento não apenas se recuperou, como voltou a crescer com bases mais maduras.
Em 2025, foram comercializadas mais de 71 mil experiências pela plataforma — volume 2% superior a 2023, último ano antes das enchentes. Na prática, o setor recuperou o patamar histórico e passou a operar novamente em curva ascendente, reforçando o papel estratégico do turismo ligado à vitivinicultura para a economia do Estado.
Além do aumento em volume, o estudo aponta avanços qualitativos. A taxa de recompra chegou a 22,5%, indicando maior fidelização dos visitantes, enquanto o tíquete médio atingiu R$ 510, com crescimento de 6%. Trata-se de um sinal claro de maior valor agregado às experiências ofertadas pelas vinícolas e operadores turísticos.
Outro dado relevante é a ampliação do fluxo de visitantes de fora do Rio Grande do Sul. Em 2025, 79% das experiências foram adquiridas por turistas de outros estados, com destaque para o Sudeste. São Paulo liderou as compras (31,6%), seguido por Minas Gerais (12,4%) e Rio de Janeiro (7,9%).
Esse movimento reforça o enoturismo como atividade exportadora de serviços, capaz de gerar renda, empregos e circulação econômica não apenas nas vinícolas, mas também na hotelaria, gastronomia, comércio e transporte da Serra Gaúcha.
As experiências mais vendidas em 2025 foram tours e visitas guiadas (51,7%), degustações (20,2%) e gastronomia (17%). Para o CEO da Wine Locals, Diego Fabris, os dados evidenciam uma mudança estrutural no perfil da demanda.
“O ano de 2025 marca um ponto de virada para o enoturismo no Rio Grande do Sul. Depois de um período extremamente desafiador em 2024, o setor demonstrou resiliência, capacidade de adaptação e força de reconstrução”, afirma.
Na avaliação do secretário estadual de Turismo, Ronaldo Santini, o setor soube transformar a comoção gerada pela enchente em um impulso para reposicionar o destino.
“Os números mostram que estamos vendendo mais do que produtos. Estamos vendendo imersão. O Rio Grande do Sul passou a ser visto com outro olhar”, destaca.
As projeções para 2026 reforçam o otimismo. Segundo a Wine Locals, apenas nos primeiros 20 dias de janeiro, o crescimento já alcançou 25% em comparação com o mesmo período de 2025. Para a próxima vindima, a expectativa é de um avanço ainda mais robusto.
“Esperamos um crescimento de 40% durante a vindima”, projeta Fabris.
Se confirmadas, as estimativas colocam o enoturismo da Serra Gaúcha em um novo ciclo de expansão, agora sustentado por profissionalização, diversificação de experiências e maior inserção nacional. Para a economia regional, os números indicam que o vinho segue sendo não apenas um produto símbolo, mas um ativo estratégico de desenvolvimento.