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2026 deve ser o ano do Turismo em Bento Gonçalves

Capital do Vinho pode dar um salto importante na recepção de turistas em um ano com feriados, Copa do Mundo e Eleições.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio Fonte: Jonathan Zanotto/Especial NB
11/01/2026 às 22h42 Atualizada em 12/01/2026 às 09h24
2026 deve ser o ano do Turismo em Bento Gonçalves

Bento Gonçalves encerrou 2025 com um sentimento que, há pouco tempo, parecia distante: o da retomada plena. Depois de um 2024 marcado pelos impactos das enchentes históricas no Rio Grande do Sul — que afetaram estradas, o fluxo de visitantes e a confiança do turista — a Capital Nacional do Vinho voltou a receber pessoas de todo o Brasil (e também do exterior) em volume consistente, reforçando sua posição como um dos destinos mais procurados do Estado.

Agora, o município entra em 2026 com expectativa elevada. O ano promete ser de grandes oportunidades, com mais turistas, maior procura por roteiros de curta duração e um perfil cada vez mais interessado em vivências autênticas. O otimismo, porém, vem acompanhado de cautela: lideranças do trade turístico alertam para fragilidades estruturais e para a necessidade de o destino “amadurecer” em aspectos básicos, como infraestrutura viária, entretenimento noturno e programação para o público infantil.

2025 foi o ano da virada: turismo voltou a respirar

Visitas voltaram a aumentar em 2025 e as expectativas crescem para 2026

 

Para a diretora executiva do Sindicato Empresarial de Gastronomia e Hotelaria Região Uva e Vinho (SEGH), Márcia Ferronato, 2025 representou um avanço importante na reconstrução do setor, com melhora no fluxo de visitantes e uma mudança de mentalidade entre empreendedores.

“Percebemos melhorias no fluxo e empreendedores mais maduros e conscientes da importância da cooperação”, afirma Márcia, ao destacar o suporte de entidades como Sebrae e Senac como fatores decisivos para organizar operações, capacitar equipes e qualificar o atendimento.

O sentimento é compartilhado por quem está na ponta da hospedagem. O empresário Airton Zanotto Júnior, sócio proprietário da Pousada Villa Dei Fiori, relata que 2025 superou 2024 e foi marcado por um fenômeno específico: turistas que haviam adiado planos no ano anterior voltaram a escolher Bento.

Na prática, esse retorno representou muito mais do que números: foi o sinal de que o destino reconquistou confiança.

Transporte sentiu o novo ritmo: “2025 foi totalmente diferente”

Motorista de aplicativo Fagner Guterres comemorou os números de 2025 e aumenta suas expectativas para 2026

 

A retomada também se refletiu no transporte turístico. Para o motorista de aplicativo Fagner Eduardo Rodrigues Guterres, que atua há 12 anos na cidade, o ano passado teve outra dinâmica — com circulação mais intensa e novos hábitos dos visitantes.

“Vimos muitos turistas que remarcaram viagens de 2024 para o ano passado, gerando um aumento considerável na demanda no Vale dos Vinhedos e Caminhos de Pedra”, relata.

O motorista acredita que 2026 pode consolidar ainda mais esse movimento e até se aproximar dos níveis do pré-pandemia. “Esperamos que a demanda continue aumentando e chegue a patamares como 2018 e 2019, que foram o auge do fluxo”, projeta.

O gargalo da infraestrutura ainda limita o crescimento

Mesmo com o setor em alta, lideranças alertam: Bento ainda tem entraves que impedem o destino de atingir seu potencial máximo.

Zanotto Júnior cita o principal deles: a infraestrutura viária. Para o empresariado, o trecho Bento Gonçalves–Veranópolis, da BR-470, segue sendo um gargalo que afeta tanto a logística quanto a decisão de compra do turista.

E há outro problema mais silencioso, mas recorrente: o destino “fecha cedo”.

Guterres reforça que, na prática, a cidade ainda não consegue segurar o visitante por mais tempo. “O turista quer ficar até mais tarde, mas a maioria dos pontos encerra às 17h. O visitante ainda tem disposição para consumir e passear”, analisa.

A consequência é direta: o turista vai embora mais cedo e o município perde ticket médio, deixando dinheiro “na mesa”.

Falta programação para crianças e fim de ano forte, diz setor

Outro desafio apontado pelo trade é ampliar o cardápio de atrações, especialmente para crianças e famílias. Zanotto Júnior afirma que Bento ainda precisa evoluir no entretenimento e na agenda cultural para competir com destinos consolidados como Gramado.

“Precisamos de mais opções para o público infantil e uma programação de Natal e final de ano mais robusta. Muitos locais fecham nesse período, o que nos torna menos atrativos”, avalia.

O diagnóstico é claro: Bento tem força no vinho, na gastronomia e no turismo rural — mas pode avançar ao oferecer mais experiências de lazer urbano, especialmente à noite e em períodos estratégicos como dezembro.

Capacitação também entra no radar: motoristas de app querem inclusão

Com o crescimento do uso de aplicativos como ferramenta de transporte e organização turística, um tema novo surge no debate: a capacitação dos motoristas de app.

Ao comparar com taxistas e transfers, que recebem incentivo para cursos básicos de orientação turística, Guterres aponta que motoristas de aplicativos não são incluídos nesses programas ou sequer informados sobre eles.

“Muitas vezes buscamos a informação por conta própria para orientar o turista, mas seria importante o poder público oferecer cursos e envolver mais a categoria”, diz.

Em um turismo cada vez mais personalizado, o motorista passa a ser parte da experiência — e também um canal informal de informação para visitantes.

2026 traz oportunidades — e um cenário mais complexo

O ano de 2026 é visto como promissor, mas cheio de variáveis externas. Entre os fatores de atenção estão:

  • Reforma Tributária, que pode mudar o consumo e encarecer serviços;

  • ano eleitoral, que historicamente reduz gastos considerados supérfluos;

  • Copa do Mundo, que também costuma segurar viagens em parte do calendário.

“Ano de eleição e Copa do Mundo historicamente trava gastos e viagens”, explica Zanotto Junior. Para ele, o caminho será a criatividade: promoção, eventos, reinvenção do produto turístico e valorização da cultura regional.

Turista de 2026 quer imersão e experiências — não só visita

O desafio de encantar os turistas também aumenta junto com a procura

 

As projeções do mercado indicam que o turista de 2026 buscará mais do que “ver” Bento Gonçalves. Ele quer viver Bento.

Isso inclui:

  • experiências de imersão, como pisa da uva, colheita e vindima;

  • oficinas e vivências de gastronomia, queijo, massas e vinho;

  • roteiros personalizados, com flexibilidade e reservas de última hora;

  • uso intensivo de apps para transporte, agenda e experiências.

Ou seja: é o turismo do “faça parte”, não apenas do “visite”.

Números reforçam retomada e indicam crescimento em 2026

A trajetória recente confirma o peso do destino:

  • 2022: cerca de 1,7 milhão de visitantes (recorde pós-pandemia)

  • 2023: cerca de 1,5 milhão (estabilização)

  • 2024: ano impactado pela catástrofe climática (resiliência e retomada)

  • 2025: cerca de 1,4 milhão (retomada forte, inverno histórico)

  • 2026: projeção de 1,6 milhão (crescimento impulsionado por feriados e vindima)

Entre os sinais mais fortes da retomada está a própria ExpoBento/Fenavinho 2024, realizada apenas dois meses após as enchentes, registrando 274.360 visitantes, o segundo maior público da história.

Em 2025, os dados parciais também impressionaram: até agosto, Bento já havia recebido 888 mil visitantes, e o mês de julho foi histórico com 220 mil pessoas em apenas 31 dias.

Além disso, o crescimento do turista estrangeiro no Estado (94,5% nos primeiros cinco meses de 2025) teve reflexo direto nas vinícolas e no Vale dos Vinhedos.

Vindima 2026: expectativa é de mais de 80 mil turistas focados no vinho

A grande vitrine do primeiro trimestre será a Vindima 2026, entre janeiro e março, com projeção de 80 mil turistas voltados exclusivamente à experiência do vinho. A tendência é que o período se fortaleça ainda mais como “temporada oficial” do enoturismo na Serra Gaúcha.

E, com um calendário de cerca de 10 feriados nacionais majoritariamente em dias úteis, Bento se beneficia de um perfil muito comum no destino: viagens curtas, escapadas de fim de semana e turismo de proximidade, principalmente para gaúchos, catarinenses e paranaenses.

Um novo momento para Bento: mais turismo, mais valor e mais responsabilidade

Bento Gonçalves entra em 2026 com um desafio que também é oportunidade: crescer com estratégia. Atrair mais visitantes exige infraestrutura, organização, qualificação, programação contínua e oferta inteligente.

O setor já mostrou resiliência. Agora, o que está em jogo é a consolidação de um novo patamar — com mais turistas, mais permanência, mais consumo e uma cidade preparada para receber bem quem chega.

 

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