
O ano de 2026 mal começou e o Rio Grande do Sul já registra um caso de feminicídio, evidenciando a persistência da violência contra a mulher no estado. Em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, a bombeira civil Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte, de 31 anos, foi brutalmente assassinada a facadas no último sábado (data), em um crime que chocou a comunidade e reacendeu o alerta para a gravidade desse tipo de violência.
Segundo a Polícia Civil, Gislaine foi morta pelo ex-companheiro, um homem de 44 anos, que não teria aceitado o fim do relacionamento. O casal manteve uma relação por cerca de três anos, encerrada recentemente por decisão da vítima. De acordo com as investigações, essa ruptura teria sido o estopim para o ataque violento.
Após o crime, o suspeito tentou simular um suicídio para despistar as autoridades. Ele chegou a enviar mensagens do celular da vítima para amigos e familiares, fingindo ser Gislaine e afirmando estar em profundo desespero emocional, sugerindo que pretendia tirar a própria vida. As mensagens, no entanto, apresentavam inconsistências que levantaram suspeitas imediatas, levando conhecidos a acionar a polícia.
Quando a Brigada Militar chegou ao local, Gislaine já estava sem vida. A vítima apresentava sete perfurações por arma branca, incompatíveis com qualquer outra versão que não a de um homicídio. O homem foi encontrado fingindo estar desacordado e acabou encaminhado a atendimento médico, mas não apresentava lesões que sustentassem a narrativa de agressão ou tentativa de suicídio.
O delegado Fabiano Berdichevski, responsável pela investigação, afirmou que as evidências no local foram determinantes para caracterizar o caso como feminicídio. “O contexto da cena, aliado ao exame físico, afastou qualquer hipótese de suicídio ou acidente. Trata-se de um crime motivado por ódio e pela não aceitação do fim do relacionamento”, destacou.
Amigos e pessoas próximas relataram que Gislaine já enfrentava episódios de violência psicológica. Segundo uma amiga, o ex-companheiro costumava menosprezá-la e proferir ofensas, chamando-a de “demônio”, um comportamento que revela um histórico de abuso emocional anterior ao assassinato.
O crime reforça um cenário preocupante: mesmo com leis específicas e campanhas de conscientização, o feminicídio segue fazendo vítimas no Brasil, muitas vezes dentro de relações marcadas por controle, ciúme e violência silenciosa. O caso de Gislaine escancara a urgência de fortalecer políticas públicas, redes de apoio e mecanismos de proteção às mulheres, especialmente em momentos de ruptura de relacionamentos — período reconhecido como de maior risco.
A Polícia Civil segue investigando o caso, enquanto o autor permanece preso em flagrante. A morte de Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte soma-se a uma estatística dolorosa e serve como um alerta de que o combate à violência contra a mulher precisa ser contínuo, efetivo e tratado como prioridade absoluta pela sociedade e pelo poder público.