Segunda, 09 de Março de 2026
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Prefeito de Bento Gonçalves grava vídeo em defesa de Ernesto Geisel

Diogo Siqueira disse que, caso a UCS atenda ao pedido do MPF, irá utilizar um espaço público para manter o memorial e homenagear o general.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
24/11/2025 às 13h49 Atualizada em 26/11/2025 às 08h27
Prefeito de Bento Gonçalves grava vídeo em defesa de Ernesto Geisel
Prefeito Diogo disse que a história de Geisel não pode ser simplesmente apagada da história - Foto: Reprodução/Especial

O prefeito de Bento Gonçalves, Diogo Segabinazzi Siqueira, promoveu um vídeo no qual defende a instalação de um memorial em homenagem ao general Ernesto Geisel, presidente da república entre 1974 e 1979. A gravação, compartilhada em suas redes sociais, foi feita após a recomendação do Ministério Público Federal (MPF) recomendar o encerramento do Memorial em homenagem à Geisel, que está instalado na biblioteca da UCS Carvi. A posição do político reacendeu o debate sobre o legado controverso de Geisel e a responsabilidade do município em preservar ou criticar esse capítulo da história nacional. Em pouco mais de uma hora, a postagem já tinha mais de 180 comentários.

Vídeo do prefeito e a defesa de Geisel

No vídeo, o prefeito Siqueira afirma que a homenagem ao ex-presidente “é uma forma de valorizar a história de Bento Gonçalves e um homem que ajudou o país a passar por um processo de transição democrática”. Ele ressalta ainda que Geisel é o único cidadão bento-gonçalvense a chegar à presidência do país. “O que não pode acontecer é uma idolatria de feitos errados ou então tentar apagar a história dessa pessoa”, destacou o prefeito.

 
 
 
 
 
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Uma publicação compartilhada por Diogo Segabinazzi Siqueira (@diogosegabinazzisiqueira)

Diogo Siqueira lembra que o memorial fala das conquistas no período do governo Geisel, como a energia limpa com o Pró-Álcool e a construção de novas barragens e hidrelétricas. "Talvez isso sejam pautas progressistas e não de um período que é lembrado como uma ditadura. Como prefeito, é meu dever preservar a história de pessoas importantes principalmente no nosso município. Vou fazer o possível de manter esse memorial em nossa cidade. Precisamos aprender com os erros e acertos ocorridos naquela época", destacou o prefeito.

Legado e controvérsias de Ernesto Geisel

Ernesto Geisel, natural de Bento Gonçalves, liderou o regime militar brasileiro em seu período de abertura lenta (chamado à época de “distensão”) e é recordado por dois polos distintos:

  • Por um lado, o presidente autorizou o início da abertura política e diversos avanços na matriz energética, como a expansão do programa energético e autonomia brasileira no setor nuclear.

  • Por outro lado, o governo Geisel é alvo de críticas por sua atuação durante a ditadura militar, acusada de autorizar perseguições políticas, prisões arbitrárias e mortes de opositores — investigações apontam ao menos 54 pessoas mortas ou desaparecidas no período.

Reações divididas à fala do prefeito

A declaração do chefe do Executivo municipal gerou manifestações de apoio e protestos nas redes e na sociedade civil. Enquanto parte da comunidade defende a valorização de uma figura histórica local, grupos de direitos humanos e historiadores alertam para a importância de não ignorar os atos autoritários do regime e a responsabilidade de preservar a memória das vítimas.

Desafios para Bento Gonçalves

O episódio impõe dilemas aos gestores públicos de Bento Gonçalves:

  • Como equilibrar a valorização da história local com o reconhecimento crítico das violações de direitos durante a ditadura?

  • A homenagem a Geisel deve vir acompanhada de iniciativas educativas e de memória, ou corre o risco de servir apenas como exaltação simbólica?

  • Qual é o papel das instituições — escola, museus, ONGs — na construção de uma narrativa plural sobre o período?

Conclusão

O vídeo do prefeito Diogo Siqueira reacende a discussão sobre a relação entre identidade local e história nacional em Bento Gonçalves. A memória de Ernesto Geisel permanece marcada por sua condição de pioneiro político e ao mesmo tempo por controvérsias que não podem ser silenciadas. A cidade, ao homenagear o ex-presidente, enfrenta agora o desafio de fazê-lo com responsabilidade histórica, equilíbrio e transparência.

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Paulo Roberto WünschHá 3 meses Bento GonçalvesParabéns ao MP por impedir a homenagem a quem teve papel histórico contra os direitos civis e políticos, quem participou do golpe contra Estado democrático de Direito. Foi Geisel que fechou o Congresso Nacional (1977), acabou com eleições diretas para governador, pós fim a campanha eleitoral no rádio e na TV, impôs a eleição indireta de senadores ("biônicos"). Em livro contendo seu depoimento fica evidente seu apoio ao uso da tortura ao declarar: “Acho que a tortura em certos casos torna-se
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