O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que, se for eleito presidente da República em 2026, seu primeiro ato será conceder um indulto presidencial a Jair Bolsonaro (PL). A declaração foi feita em entrevista ao Diário do Grande ABC e repercutiu nacionalmente, marcando mais um capítulo da aproximação do governador com o bolsonarismo.
Segundo Tarcísio, o processo judicial que o ex-presidente enfrenta, em especial a acusação de tentativa de golpe de Estado que será julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2 de setembro, é “absolutamente desarrazoado”. Ele afirmou que a decisão de conceder o perdão seria tomada “na hora, como primeiro ato” de sua eventual gestão, sinalizando um claro posicionamento político diante da crise que envolve o ex-chefe do Executivo.
Embora negue ser candidato ao Planalto — “Eu não sou candidato à Presidência”, frisou —, o governador reforça com esse gesto sua projeção nacional, buscando consolidar-se como herdeiro político de Bolsonaro e potencial nome da direita em 2026. Ao mesmo tempo, sua fala gera tensão institucional ao confrontar diretamente o papel do Judiciário no julgamento de Bolsonaro.
Além do indulto a Bolsonaro, Tarcísio defendeu uma “solução política” por meio do Congresso Nacional, com a possibilidade de uma anistia ampla, mecanismo já utilizado em momentos de forte polarização no Brasil. A proposta, segundo ele, seria uma saída para pacificar o país e encerrar o impasse judicial que envolve o ex-presidente.
O anúncio tem implicações diretas no cenário político. De um lado, fortalece o vínculo de Tarcísio com a base bolsonarista e mobiliza o eleitorado conservador em torno da ideia de perseguição política. De outro, acirra a disputa com outras correntes da direita que também se posicionam como alternativas para 2026. Caso levado adiante, um indulto presidencial colocaria em xeque o equilíbrio entre os poderes Executivo e Judiciário, reacendendo o debate sobre os limites da autoridade presidencial.
Ao colocar o indulto a Jair Bolsonaro como símbolo de lealdade e coragem política, Tarcísio não apenas se consolida como figura central da direita, mas também dá sinais de que, mesmo negando a candidatura, já se projeta como protagonista na corrida eleitoral de 2026.