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Safra de uva de 2022 deve ser menor que a do ano passado

Conforme a Emater-RS, as linhas Ferri, De Mari, 40 da Graciema e Vale Aurora foram as mais atingidas pelo período de seca. Bento Gonçalves e municípios vizinhos já decretaram situação de emergência.

11/01/2022 às 19h52 Atualizada em 11/01/2022 às 23h10
Por: Kevin Sganzerla Fonte: NB Notícias
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Foto: Divulgação
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Pelo segundo ano consecutivo, porém, desta vez, com um impacto ainda maior, os produtores de Bento Gonçalves e região estão sofrendo com perdas significativas na safra de uva por conta da estiagem. Por isso, grande parte dos municípios da Serra Gaúcha já decretaram situação de emergência. Na Capital Brasileira do Vinho, a expectativa de pesquisadores e de produtores é que a produção de uva seja significativamente menor em relação ao ano passado, devido ao período de restrição de pluviosidade. 

De acordo com o chefe do Escritório do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural – Emater/RS-Ascar de Bento Gonçalves, Thompson Didoné, as áreas mais afetadas pela estiagem em Bento se encontram nas linhas Ferri e De Mari, Vale Aurora e 40 da Graciema. Em outros locais, também houve impacto, mas de menor dano. Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Cedenir Postal, a estimativa de redução gira em torno de 40% em relação à safra de 2021. 

A estiagem, segundo o pesquisador na área de Fisiologia Vegetal da Embrapa Uva e Vinho, Henrique Pessoa dos Santos, ocorre em função do La Niña, fenômeno que influencia na restrição de chuvas no sul do país. “Estamos com dois anos seguidos com o mesmo fenômeno. No ano passado tivemos uma influência do La Niña, porém não foi tão intensa e, neste ano, chegou de forma precoce em relação ao ano passado”, explica. 

Dentre os fatores de perda, o pesquisador salienta que o número e tamanho de bagas foi afetado, o que influencia no componente de rendimento para elucidar a expectativa de produção total na safra. “Pode ser que temos um número de cachos bom por planta, só que o número de bagas foi afetado. Nós tivemos frio em outubro e em novembro, na época de floração, então o número de bagas por cacho caiu. E quando a baga estava no período de crescimento, entre novembro e dezembro, com a seca a baga ficou pequena. Portanto, o peso individual de baga por cacho foi afetado”, explica Henrique, que complementa:

“Quando se pensa em quantidade em peso de uva, tudo isso afetou a produção. Ou seja, tem alguns fatores que estão impedindo de termos um aumento de safra em relação às safras passadas. Eu diria que pode até ser menor que 2021, apesar de que ainda é cedo para afirmar com toda a certeza”, analisa.  

Foto: Divulgação

Impactos da estiagem estão associados a outros fatores

No entanto, a estiagem não é o único fator que têm influenciado nas significativas perdas na produção de uva. Ela está associada a outras condições que estão atreladas ao impacto negativo em decorrência do período de seca na safra. 

“É importante salientar que os impactos estão, primeiramente, associados à restrição de profundidade de solo. Temos áreas com profundidade de solo em que as plantas estão muito bem, mas têm áreas com afloramento de rocha, com solo raso, e que as plantas estão bem debilitadas, com problemas de maturação, queda de folhas, galhos secando, e que estão comprometendo a produção deste ano e talvez a produção do ano seguinte”, pondera o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho. 

Além disso, outro fator que também vinculado com o aumento do impacto da estiagem sobre a produção de uva é a idade do parreiral. Segundo Henrique, a formação plena da planta, com o sistema radicular desenvolvido, ocorre em um período ideal de três anos. Porém, os produtores não aguardam o tempo necessário para realizar colheitas, o que pode causar danos na produção. “Parreiras de até dois anos, os quais não têm o sistema radicular bem desenvolvido, nesse ano as plantas estão sofrendo muito. O produtor mantém a produção em cima dessas plantas que estão em formação, e isso não é bom nesse tipo de ciclo. O ideal é retirar a fruta para que a planta consiga sobreviver nessas dificuldades e ter um crescimento mais adequado para os anos seguintes”, comenta. 

As consequências de possíveis danos, segundo o pesquisador, podem se estender até as safras dos próximos anos. “A folha pode começar a amarelar e cair e o ramo também não amadurece. E se o ramo não amadurece, além de comprometer a maturação da fruta nessas plantas mais afetadas, pode comprometer a produção do ano que vem”, destaca. 

Segundo Henrique, há a probabilidade de mais chuvas em janeiro e mais um período de estiagem em fevereiro. Em relação a esse cenário futuro, as uvas precoces, que serão colhidas no mês de janeiro, podem sofrer problemas com as chuvas próximas do período de colheita. Já as uvas intermediárias e tardias, há a possibilidade de que se tenha uma condição mais favorável para o aumento de qualidade. No entanto, conforme o pesquisador, ainda é muito cedo para realizar um diagnóstico mais efetivo a respeito. 

Outro fator elencado por Henrique é a carga de fruta por planta, que foi estimulada pelo “bom inverno” para a brotação. “A produção por planta está muito boa esse ano. Então, combinado com essa restrição de chuvas, às vezes as áreas que estão mais restritas de solo estão sofrendo mais, porque tem uma carga de fruta muito alta por planta. Nessas áreas mais impactadas, a recomendação seria que o produtor tirasse a fruta, mas muitas vezes ele é resistente nesse tipo de ação para não perder produção”, comenta.  

Foto: Divulgação

Recomendações aos produtores

Em relação à profundidade de solo, Henrique alerta o produtor para que realize uma análise em sua propriedade, sobretudo no aspecto de subáreas nos parreirais, para verificar se vale a pena manter as plantas ou não em áreas com afloramento de rocha ou com solo raso. Além disso, recomenda-se a utilização de água para irrigação, principalmente em áreas mais afetadas, caso o produtor não tiver condições de utilizar em todo o parreiral. 

Conforme Thompson, é necessário se atentar no momento da maturação para colher as uvas o quanto antes em plantas que sofreram os impactos da estiagem. “A recomendação para os agricultores é que tão logo a uva esteja pronta para a colheita nesses locais mais afetados, quanto antes o agricultor tirar a uva, menos sofrerá a planta”, explica. 

Além disso, uma opção recomendada tanto pela Emater-RS-Ascar como pelo pesquisador da Embrapa é o investimento na estocagem de água para a irrigação. “É um investimento que, nos últimos anos, tem se confirmado como uma ótima opção em virtude de que a cada quatro ou cinco anos temos um ou dois anos de tempo mais seco. É um dos investimentos que o agricultor tem que começar a pensar”, pondera Thompson. 

Àqueles produtores que não têm em sua propriedade rio, açude ou poços artesianos, uma das alternativas é o armazenamento da água da chuva do inverno. “Com um sistema de irrigação eficiente e econômico, como o gotejamento, por exemplo, consegue-se satisfazer a necessidade da planta com uma quantidade menor de água. Lembrando que é preciso um projeto técnico, com recomendações técnicas e é necessário saber quando irrigar, o volume de água que utiliza e assim por diante”, explica. 

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Henrique salienta que é necessário um cuidado redobrado na utilização de irrigação. “Irrigar não é molhar parreira. Irrigar é colocar a água que precisa no momento certo. O produtor compra o sistema de irrigação, irriga e joga água de qualquer jeito e ele está colocando água fora, dinheiro fora, e muitas vezes pode estar lavando o solo, levando nutrientes, o adubo dele fora. Então é mais prejuízo que benefício. Procure investir no sistema de irrigação com a assistência técnica, com o apoio técnico”, comenta. 

Ações a serem tomadas para auxiliar o produtor

No início do ano, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento da Agricultura (SMDA), realizou uma reunião juntamente com o Conselho Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (COMAPA). No encontro, ocorrido na Agência Sicredi Agro, foi discutido sobre a situação da estiagem, avaliando ações a serem tomadas.        

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Cedenir Postal, os prejuízos dos agricultores não só são financeiros, como também psicológicos. “O produtor enfrenta muitos prejuízos psicológicos, uma vez que é frustrante para qualquer agricultor. Muitos produtores que fizeram custeio têm dificuldades para honrar com os seus compromissos e podem passar dificuldades durante o ano, porque o agricultor não tem férias, não tem décimo terceiro, a renda dele é a safra”, destaca. 

Cedenir salienta que a entidade está lutando para que as prefeituras e o governo estadual tomem providências para auxiliar os produtores neste momento. “Gostaríamos que o governo isentasse uma parte dos custeios, com redução de juros, ou colocar parcelas para o final do contrato. As prefeituras deveriam decretar situação de emergência, ou o próprio governo do estado poderia fazer isso para que pudéssemos ter prorrogação dos financiamentos”, comenta. 

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