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Centenário sociólogo Edgar Morin é o novo Doutor Honoris Causa da UCS

A solenidade acontece às 14h, com transmissão pelo canal da UCS no YouTube, marcará a abertura do II Colóquio Internacional Processos Educacionais e Tecnologias Digitais

13/09/2021 às 10h39
Por: Redação Fonte: Divulgação
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Centenário sociólogo Edgar Morin é o novo Doutor Honoris Causa da UCS

O centenário professor francês Edgar Morin, um dos mais importantes pensadores mundiais dos séculos XX e XXI, será agraciado como Doutor Honoris Causa pela Universidade de Caxias do Sul nesta segunda-feira, 13. A solenidade, acontece às 14h, com transmissão pelo canal da UCS no YouTube, marcará a abertura do II Colóquio Internacional Processos Educacionais e Tecnologias Digitais: O humano em (trans)formação, promovido pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu de Educação e pela Área do Conhecimento de Humanidades da UCS. Caberá a Morin, em seguida, proferir a conferência de abertura do evento, com o tema O Humano em Transformação, dirigida aos professores da educação básica e do ensino superior. O colóquio prossegue durante toda a semana.

A concessão do título, o 11º do gênero na história da UCS, foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário (Consuni), órgão máximo da instituição, em assembleia realizada no dia 30 de junho de 2021, a partir de proposição da Área do Conhecimento de Humanidades, em reconhecimento à distinção acadêmica e ampla contribuição dada à educação pelo criador da abordagem do ‘pensamento complexo’ (ou ‘paradigma da complexidade’), bem como pela passagem de seu centenário, ocorrida em 8 de julho. “A UCS é uma instituição comprometida com a difusão de uma educação de excelência, visando a uma formação técnica, científica e, sobretudo, humana de seus estudantes”, descreve o reitor Evaldo Kuiava. “Nesse sentido, entendemos que a vasta e singular obra do professor Morin encontra imensa ressonância e contribuição com o papel da UCS como lócus de transformação social, voltado à preservação e difusão dos valores humanísticos e à promoção o exercício contínuo de reflexão sobre o passado, a compreensão do presente e a preparação necessária para o que está por vir”. 

Biografia

Sete décadas de pesquisa sobre a complexidade humana

Nascido Edgar Nahoum em Paris, em 8 de julho de 1921, Edgar Morin formou-se em Direito, História e Geografia na Universidade de Sorbonne, uma das mais importantes do mundo na Área de Humanidades, e realizou estudos em Filosofia, Sociologia, Epistemologia e Antropologia ao longo de toda a carreira acadêmica. De origem judaica, participou do movimento de resistência francesa à ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1950 ingressou no Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, onde faria carreira e permanece até hoje como pesquisador emérito. Em 1968 começou a lecionar na Universidade de Nanterre. Passou um ano no Instituto Salk de Estudos Biológicos em La Jolla, na Califórnia (EUA). Ainda diretor de pesquisas no CNRS, ele é Doutor Honoris Causa em universidades de vários países e presidente da Associação para o Pensamento Complexo.

Além de receber a honraria, Edgar Morin também irá palestrar no evento, que acontece inteiramente de forma on-line

 

Sua bibliografia completa conta com 85 títulos, entre livros, ensaio e compilações. Em sua principal obra, ‘O Método’, composta por seis volumes publicados a partir de 1977, firma as bases do ‘paradigma da complexidade’. Segundo Morin, o pensamento complexo é fundamentado em formulações surgidas nos campos das Ciências Exatas e das Naturais, como as Teorias da Informação, a Teoria Geral dos Sistemas e a Cibernética, propondo, assim, a transdisciplinaridade.

Pensamento Complexo

Solidariedade como recurso fundamental diante da crise planetária  

A partir das mudanças profundas em escala mundial ocorridas nas últimas décadas do século XX, no caso, a globalização econômica, o fim da polarização entre capitalismo e comunismo nas relações internacionais e o avanço da tecnologia de informação, Edgar Morin considerou, como maior urgência no campo das ideias, elaborar uma nova concepção do próprio conhecimento (mais do que rever doutrinas e métodos). Assim, no lugar da especialização, da simplificação e da fragmentação de saberes, o sociólogo propõe o conceito de complexidade tomando a palavra em seu sentido etimológico latino, ou seja, como ‘aquilo que é tecido em conjunto’

Em sua visão, a submissão dos saberes tradicionais a um processo reducionista, separado e fragmentado, acarretou na perda das noções de multiplicidade e diversidade. Dessa forma, a simplificação está a serviço de uma falsa racionalidade, que ignora a desordem e as contradições existentes em todos os fenômenos e nas relações entre eles. O pensamento complexo, por sua vez, considera a incerteza e a falibilidade como parte da vida e da condição humana para, ao mesmo tempo, sugerir a solidariedade e a ética como caminho para a religação dos seres e dos saberes.

Este processo passa pela aplicação, na conceituação científica, de aspectos contextuais do universo humano como o ambiente, a história e a psicologia, gerando um pensamento crítico sobre o próprio pensar e seus métodos. Se estabelece, assim, um procedimento em espiral, que amplia o conhecimento a cada retorno ao início, perpetuando-se o aprendizado como algo para toda a vida. Esta trajetória vai construindo a constatação da interconexão inerente a todos seres e seus saberes, de modo que a solidariedade emerge como recurso fundamental para a superação da sensação de impotência diante de incertezas que se acumulam, da qual decorre o que Morin denomina ‘crise planetária’.

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