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Embora sejamos muitos resilientes, a luta para manter a saúde mental acontece agora em 2021

A psicóloga do Instituto de psiquiatria da USP, Valeska Bassan alerta para uma maior incidência de doenças mentais nos próximos meses

Jaqueline Bagnara
Por: Jaqueline Bagnara Fonte: Divulgação
24/06/2021 às 10h00
Embora sejamos muitos resilientes, a luta para manter a saúde mental acontece agora em 2021
Valeska Bassan, psicóloga do Instituto de psiquiatria/USP

No último dia 15, a modelo Raissa Barbosa usou seu Instagram para fazer um desabafo aos seus fãs. Logo depois de aparecer chorando, ela postou uma foto dizendo que estava no hospital e fez declarações como: “não aguento mais fingir que estou bem, não sei mais o que fazer”. Em nota, a equipe da modelo relatou que Raissa teve uma forte crise de ansiedade, mas tinha sido medicada e recebeu alta no mesmo dia.

Infelizmente, esse caso é muito mais comum do que se imagina. Embora ela tenha transtorno de Bordeline, dados mostram que a pandemia da covid-19 acentuou casos ligados à depressão e ansiedade pelo cenário que vivemos há um ano meio. E, não dá para negar as evidências, a transformação rápida do modo de vida, somada ao pânico da contaminação pelo vírus e das mortes provocadas pela doença, vem trazendo consequências.

Para a psicóloga do Instituto de psiquiatria da USP, Valeska Bassan deve haver uma maior incidência de doenças mentais nos próximos meses. “Embora sejamos muitos resilientes, a luta para manter a saúde mental acontece agora em 2021. É claro que a pandemia trouxe a tona muito pânico, insegurança, medo, luto, mas grande parte da população conseguiu se adaptar a esse novo 'normal', embora tenha sido uma dor além do inimaginável”, explica.

No entanto, Valeska levanta uma questão bastante importante. O nosso cérebro processa as informações de modo lento, ele vai entendendo os cenários e se adaptando aos poucos, e nosso corpo trabalha em sintonia com isso, de forma positiva ou não. O fato é que o fardo emocional existe, e em 2021 as doenças mentais podem eclodir.

“Esses últimos meses temos vivido uma guerra. E eu faço essa analogia, a poeira ainda não baixou, não conseguimos ainda chegar a nosso ponto de equilíbrio e ver realmente como estão as coisas. A vacina está chegando, grande parte da população será vacinada até o final do ano no Brasil, o que é incrível, uma benção, mas é aí que os problemas podem começar”, diz.

Para a especialista, vamos querer “tirar o atraso” de tudo que eu ‘não vivi’, comemorando todas as datas que passaram em branco, os aniversários dos amigos, os happy hours, as baladas e os churrascos de domingo. “Iremos de uma ponta a outra das emoções, sairemos do momento ermitão, deprimidos, solitários, para o outro ponto, euforia, desespero em viver tudo, muita comida, bebida, choros de alegria. Isso para a saúde mental é extremamente estressante, é como se o corpo tivesse que ficar se adaptando a muitas situações diversas em um período curto de tempo. Ele pode pifar”.

Assim como a chegada da pandemia aumentou os casos de depressão e ansiedade, a adequação a esse novo momento também deve gerar novamente uma montanha-russa de emoções. “É muito importante aproveitar esse momento de “libertação”, mas ter em mente que estamos voltando a nos adequar, aos poucos, e claro, ficar muito atentos à saúde mental. E qualquer sintoma diferente do habitual, procurar um especialista o quanto antes”, alerta Valeska.

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